Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘União Soviética’

A criação da UEFA em 1954 foi o grande impulsionador para que se fizesse uma grande competição europeia de selecções, sendo que o sonho tornou-se realidade a 5 de Abril de 1958, altura em que República da Irlanda e Checoslováquia deram o pontapé de saída na fase preliminar da prova. Apesar de tudo, esta prova ainda começou de forma algo “coxa”, pois apenas dezassete selecções participaram no certame, contando-se as ausências de países como a Alemanha Ocidental, Bélgica, Itália e Inglaterra. Na fase final, disputada em França, destacou-se a União Soviética, equipa que contou com o genial Yashin e o cerebral Netto como grandes artífices do título europeu.

Matateu ajudou a eliminar a RDA

Portugal mostrou-se superior aos alemães de leste

O campeonato da Europa arrancou com uma fase preliminar onde apenas entraram checoslovacos e irlandeses, sendo que a Checoslováquia respondeu ao desaire da primeira mão (0-2), com um triunfo categórico (4-0) no duelo decisivo.

Finda essa ronda, chegou-se aos oitavos de final, onde a Roménia venceu a Turquia (3-0 e 0-2), a Espanha superou a Polónia (4-2 e 3-0), a URSS eliminou a Hungria (3-1 e 1-0), a França esmagou a Grécia (7-1 e 1-1), a Jugoslávia superiorizou-se à Bulgária (2-0 e 1-1), a Áustria triunfou diante da Noruega (1-0 e 5-2) e a Checoslováquia passeou diante da Dinamarca (3-2 e 5-1).

Portugal, que tinha como principais estrelas Coluna e Matateu, teve como adversário a República Democrática da Alemanha, tendo vencido as duas partidas diante dos germânicos e, dessa forma, conseguido o apuramento para os quartos de final. Em Berlim Oriental, a equipa das quinas venceu por 2-0, com golos de Matateu e Coluna, enquanto, no Porto, o triunfo foi por 3-2, com dois tentos de Coluna e outro de Cavém a superiorizarem-se aos golos de Vogt e Kohle.

Qualidade de Coluna não foi suficiente para superar a Jugoslávia

Lusos incapazes de contrariar poder jugoslavo

Os quartos de final haviam de ficar marcados pela recusa da Espanha de defrontar a União Soviética. A imposição do General Franco devia-se ao facto deste não concordar com o regime comunista praticado em Moscovo. Como tal, os soviéticos apuraram-se para a fase final sem jogar.

Portugal, por sua vez, teve como adversário a Jugoslávia e até teve um início auspicioso, marcado por um triunfo (2-1) no Estádio Nacional com golos de Santana e Matateu. Contudo, na segunda mão, Kostic comandou uma equipa jugoslava a uma vitória categórica por 5-1, num jogo em que o tento de Cavém teve pouca importância para o desenlace final.

Nos outros duelos desta ronda, a Checoslováquia superou a Roménia (2-0 e 3-0) e a França não deu hipóteses à Áustria (5-2 e 4-2).

Just Fontaine foi baixa de peso para a França

França desiludiu na fase final

A fase final do Euro 1960 foi disputada em França e contou com a presença da equipa gaulesa, URSS, Checoslováquia e o carrasco português: Jugoslávia.

O sorteio das meias-finais da prova colocou franceses em confronto com os jugoslavos e os soviéticos em confronto com os checoslovacos, sendo que os gauleses, orfãos das estrelas do Mundial 58 Kopa e Fontaine, até estiveram a vencer por 4-2, mas acabaram vergados a uma derrota por 5-4 com os jugoslavos, enquanto os soviéticos superaram tranquilamente os checoslovacos por três bolas a zero.

Desiludida por ter sido afastada de uma final que se iria disputar na sua capital, a França foi bastante desmoralizada para o encontro dos terceiros e quartos lugares, sendo que o desaire (0-2) nessa partida diante da Checoslováquia acabou por não surpreender.

Yashin era a estrela da URSS

Final * URSS 2-1 Jugoslávia

Na final, defrontavam-se duas selecções da Europa de Leste, mas que tinham abordagens distintas ao jogo. A Jugoslávia era uma equipa criativa e espectacular, com uma forma de jogar quase “brasileira”, enquanto os soviéticos eram um conjunto frio e eficaz que parecia obra de um qualquer laboratório de Moscovo.

A partida começou por se inclinar na direcção do conjunto mais espectacular, pois, ao minuto 41, Galic conseguia superar, finalmente, o mítico Yashin, guarda-redes que, entre as fases preliminares e final, apenas havia sofrido um golo até aquele momento.

Contudo, o terreno empapado beneficiava o maior poderio físico dos soviéticos que, ao quarto minuto do segundo tempo, chegaram ao empate por Metreveli.

Com o resultado empatado (1-1) a partida foi se desenrolando com alguma superioridade jugoslava, mas golos, esses, não apareceram até ao final dos noventa minutos, tendo o desafio que seguir para prolongamento. Aí, a superioridade física da URSS tornou-se evidente e, ao minuto 114, Ponedelnik correspondeu da melhor forma a um cruzamento de Meskhi, para garantir a vitória soviética (2-1) e a conquista do primeiro campeonato da Europa.

Anúncios

Read Full Post »

van Breukelen é uma lenda holandesa

Hans van Breukelen foi um guarda-redes holandês de grande qualidade e que criará sempre um travo amargo na boca dos portugueses, nomeadamente dos benfiquistas, pois foi ele que defendeu o penalti de Veloso, que havia de entregar a Taça dos Campeões, em 1988, ao PSV Eindhoven. Contudo, falar do internacional holandês e apenas nos lembrarmos desse momento fatídico para os encarnados é extremamente redutor e injusto. 73 vezes internacional pela Holanda, selecção pela qual venceu o campeonato da Europa em 1988, vencedor do campeonato holandês por seis vezes e da Taça da Holanda por três ocasiões, van Breukelen marcou uma era do futebol holandês, sendo, claramente, um dos melhores guarda-redes holandeses de todos os tempos.

Destacou-se no FC Utrecht

Johannes Franciscus “Hans” van Breukelen nasceu a 4 de Outubro de 1956 em Utrecht e iniciou a sua carreira profissional vinte anos depois no clube mais representativo da sua cidade natal, o FC Utrecht.

Entre 1976 e 1982, o lendário guarda-redes holandês efectuou 142 jogos pelo FC Utrecht, tendo sido titular absoluto entre 1978/79 e 1981/82. Ainda assim, durante esse período, van Breukelen não conquistou qualquer título, tendo como momento mais alto a final da Taça da Holanda em 1981/82, competição que o FC Utrecht acabou por perder para o AZ.

Substituiu Peter Shilton na terra de Robin Hood

Já com a época de 1982/83 em andamento, o internacional holandês acabou por trocar a liga holandesa pela inglesa, transferindo-se para o Nottingham Forest, onde teria a difícil missão de fazer esquecer Peter Shilton.

No clube da cidade popularizada por Robin Hood, van Breukelen haveria de fazer duas temporadas de bom nível em termos individuais, mas voltaria a não conquistar qualquer título colectivo, ainda que em 1983/84 a época tenha sido de muito boa qualidade, pois o Nottingham Forest foi terceiro no campeonato e alcançou as meias-finais da Taça UEFA.

Eternizou-se no PSV

Em 1984, van Breukelen regressou ao campeonato holandês e, desta feita, para actuar por um dos clubes mais representativos dos Países Baixos, o PSV.

No gigante de Eindhoven, o internacional holandês haveria de permanecer por dez temporadas, ou seja, até ao final da sua carreira desportiva, tendo sido sempre titular e tendo conseguido, finalmente, alcançar os tão ambicionados títulos colectivos.

De facto, no PSV, van Breukelen fez 308 jogos e conquistou seis campeonatos holandeses, três taças da Holanda e, acima de tudo, a Taça dos Campeões em 1987/88, quando o clube de Eindhoven superou o Benfica na final (0-0, 6-5 g.p.) após o guarda-redes holandês ter defendido o penalti decisivo do lateral Veloso.

Para além disso, o internacional holandês conquistou o título de melhor guarda-redes da Holanda por quatro ocasiões (1987, 88, 91 e 92).

Esteve numa fase dourada da Laranja Mecânica

van Breukelen actuou na selecção holandesa entre 1980 e 1992, tendo alcançado 73 internacionalizações e participado nos campeonatos da Europa de 1980, 88 e 92 e no Mundial de 1990.

O momento mais alto da sua carreira na Laranja Mecânica, foi, claramente, a conquista do Campeonato da Europa em 1988, em casa, quando a Holanda entrou mal (derrota com a União Soviética por 1-0), mas depois superou Inglaterra (3-1), Rep. Irlanda (1-0), Alemanha Ocidental (2-1) e União Soviética (2-0) para conquistar o ambicionado título continental.

Guarda-redes frio e muito seguro

van Breukelen era um guarda-redes que parecia ocupar toda a baliza, tal era a qualidade do seu posicionamento e a inteligência de movimentos entre os postes.

Líder dentro de campo, não se cansava de dar indicações aos companheiros de equipa, parecendo comandar todo o sector defensivo com um rigor inacreditável.

Apesar de toda a segurança e sobriedade, van Breukelen era muito elástico e conseguia, de quando em vez, efectuar defesas espectaculares, no entanto, foi na segurança e na eficácia de processos que o internacional holandês mais se destacou e, assim, garantiu um lugar na história do futebol.

Read Full Post »

Giannini era um "dez" de classe

Antes de Totti, as últimas grandes referências da Roma foram o internacional brasileiro Falcão, o mago italiano Bruno Conti e “O Príncipe”, um “dez” à antiga que revelava uma técnica e visão de jogo muito acima da média: Giuseppe Giannini. Autêntico poeta com a bola nos pés, o internacional italiano fazia o jogo mudar num ápice logo que o esférico surgia na sua posse, tornando a superioridade moral da Roma uma verdade absoluta e indiscutível. Apesar de ter jogado ao lado de craques como Hassler, Caniggia, Aldaír, Völler ou Thern, Giuseppe Giannini apenas conquistou um campeonato e três taças de Itália no seu longo percurso de quinze anos ao serviço da equipa principal romana, mas garantiu algo muito mais importante que uma mão cheia de títulos, assegurou a eternidade nos corações dos adeptos “Giallorossi.”

Dezoito anos ao serviço da Roma

Giuseppe Giannini nasceu a 20 de Agosto de 1964 em Roma e iniciou a sua carreira em 1978 no modesto Almas Roma, antes de se transferir em 1980 para “La Maggica.”

O antigo internacional italiano estreou-se na equipa principal da Roma em 1981/82, mas só assegurou a titularidade na equipa da capital de Itália em 1984/85, tendo efectuado 436 jogos e marcado 75 golos ao longo de um extenso percurso de quinze anos nos “giallorossi.”

Nesse período (1981-1996), o “dez” conquistou um campeonato italiano e três taças de Itália, tendo ainda disputado uma final da Taça UEFA (1990/91), perdida diante do Inter (0-2 e 1-0).

Giannini festeja o golo aos EUA

Presente no Mundial 90 ao serviço de Itália

Giuseppe Giannini apenas representou a “Squadra Azzurra” durante quatro anos (1987-1991), mas foi o suficiente para conquistar 47 internacionalizações e para estar presente nas fases finais do Euro 88 e Mundial 90.

No campeonato da Europa disputado na antiga Alemanha Ocidental, o então jogador da Roma foi titular nos quatro jogos da Itália na competição, tendo auxiliado a equipa transalpina a atingir as meias-finais da prova, onde foi derrotada pela União Soviética (0-2).

Dois anos depois, num campeonato do Mundo disputado no seu país natal, Giannini foi titular nos sete jogos da Itália na prova, tendo inclusivamente marcado o golo da vitória diante dos Estados Unidos (1-0) na fase de grupos. Nesse certame, a “Squadra Azzurra” classificou-se na terceira posição, apesar de não ter perdido qualquer jogo (foi eliminada nas meias-finais pela Argentina no desempate por grandes penalidades).

Giannini com a camisola do Lecce

Terminou a carreira no Lecce

Após abandonar a Roma, o internacional italiano transferiu-se para o Sturm Graz, mas nunca se adaptou à Áustria, tendo regressado a Itália em 1997/98 para representar o Nápoles.

Não se conseguindo impor nos napolitanos, Giannini transferiu-se em Janeiro de 1998 para o Lecce, onde ao longo de época e meia e mesmo no ocaso da carreira, ainda conseguiu efectuar cinquenta jogos oficiais (quatro golos).

Depois, no Verão de 1999, e após ter ajudado o Lecce a regressar à Série A, o médio-ofensivo retirou-se dos relvados, com quase 35 anos e dezoito épocas de futebol profissional.

Read Full Post »

Peres Bandeira era o seleccionador

Agora que estamos à beira de nova participação no Mundial de sub-20, desta feita, a disputar na Colômbia, achei interessante recordar aquela que foi a primeira presença portuguesa no certame. Há trinta e dois anos, no Japão, Portugal participou na segunda edição do Mundial de sub-20, levando uma equipa de jogadores cheios de sonhos a terras nipónicas e efectuando uma participação digna, mas sem grande brilho, pois a equipa lusitana não haveria de passar dos quartos de final. Ainda assim, a equipa das quinas conseguiu revelar jogadores que haveriam de ser bastante importantes no futebol nacional como Zé Beto, Quim, Bastos Lopes ou Diamantino e tornou-se percursora de uma nova mentalidade futebolística que, dez anos mais tarde, iria garantir o título mundial em Riade…

Surpreendente derrota com o Canadá não evitou apuramento

Portugal estreou-se da pior forma no Mundial de sub-20, perdendo de forma inesperada com o Canadá (1-3) no primeiro jogo do Grupo C. Após um golo de Branko Segota (7′), Grilo (46′) ainda empatou para a equipa nacional, todavia, Segota (66′) novamente e Nagy (79′) garantiram o triunfo da equipa canadiana. Com este resultado, Portugal via-se obrigado a não perder com o Paraguai para continuar a sonhar com o apuramento para os quartos de final.

Curiosamente, num jogo que se previa bem mais complicado que o disputado com a equipa da América do Norte, os lusos haveriam de surpreender vencendo os sul-americanos por 1-0 (golo de Ferreira aos 23 minutos). Graças a este magro triunfo e caso o Canadá-Paraguai não terminasse empatado, bastaria a Portugal um empate diante da Coreia do Sul para assegurar a passagem aos oitavos de final.

Antes de começar o jogo com os sul-coreanos, soube-se que o Paraguai havia vencido o Canadá por 3-0 e, assim, bastaria mesmo um empate à equipa das quinas para seguir em frente na prova. Diante de uma Coreia que precisava de vencer, o jogo foi duro e intenso, contudo, Portugal defendeu-se bastante bem e segurou um precioso nulo que colocava a equipa nacional nos quartos de final do Mundial de sub-20.

Uruguai foi carrasco no prolongamento

Nos quartos de final, Portugal defrontou o Uruguai, equipa que era super-favorita, pois havia vencido União Soviética (1-0), Hungria (2-0) e Rep. Guiné (5-0), vencendo facilmente o Grupo D.

Contudo, Portugal, treinado por Peres Bandeira, foi fazendo de tudo para evitar o golo uruguaio, utilizando todas as manhas habituais do futebol luso para impedir o tento dos favoritos sul-americanos.

A estratégia resultou na perfeição até ao minuto 94, quando Ruben Paz, já no prolongamento, fez o golo que garantiu à equipa uruguaia a vitória (1-0) e o apuramento para as semi-finais. Portugal terminava assim, nos quartos de final, a primeira presença num Mundial de sub-20.

Maradona com a taça do Mundial sub-20

Argentina campeã com o goleador Ramon Diaz e… Diego Maradona

O grande vencedor deste Mundial de Sub-20 foi a Argentina que conquistou o certame, vencendo todos os jogos da prova, marcando 20 golos e sofrendo apenas dois.

Na fase de grupos, os sul-americanos despacharam Indonésia (5-0), Jugoslávia (1-0) e Polónia (4-1), superando depois a Argélia (5-0) nos quartos de final, Uruguai (2-0) nas semi-finais e União Soviética (3-1) na final.

As estrelas dos argentinos foram o avançado Ramon Diaz, que marcou oito golos e foi o melhor marcador da prova e, também, Diego Maradona, que com apenas dezoito anos, mostrou todo o seu talento e assumiu-se como a principal estrela do Mundial de sub-20.

Read Full Post »

Inteligência táctica no seu expoente máximo

Jogou praticamente toda a carreira no Spartak de Moscovo e, para os adeptos daquele histórico clube russo, será para sempre considerado o melhor jogador que vestiu a camisola do Spartak. Médio-centro com uma superior visão de jogo, era um autêntico líder dentro de campo, que parecia controlar toda a equipa como se fosse um segundo treinador dentro de campo. Conquistando inúmeros títulos individuais e colectivos, a grande mágoa de Fyodor Cherenkov foi nunca ter participado numa grande competição internacional de selecções fosse pela União Soviética ou pela Federação Russa.

Nascido a 25 de Julho de 1959, em Moscovo, iniciou-se nas camadas jovens de um pequeno clube da capital soviética, o Kuntsevo. Após ter dado nas vistas nesse clube, transferiu-se, no ínicio de 1977/78 para o Spartak Moscovo.

No gigante de Moscovo esteve até 1993/94, com uma pequena interrupção em 1990/91, quando jogou alguns meses nos franceses do Red Star de Paris. Ao longo desse longo percurso, efectuou 398 jogos (95 golos) pelo Spartak Moscovo, sendo o jogador que mais vezes vestiu a camisola do clube russo.

Jogador de grande elegância, superior visão de jogo e enorme inteligência táctica, era um autêntico apêndice do treinador dentro de campo, corrigindo posicionamentos e parecendo controlar os restantes jogadores como se fossem as suas marionetas. Além de todas estas qualidades, também era um enorme lutador e muito bom a finalizar, como são exemplo os quase 100 golos que fez pelo Spartak Moscovo.

A sua carreira nos moscovitas, garantiu-lhe três campeonatos soviéticos (1979, 87 e 89), um campeonato russo (1993) e uma Taça da Rússia (1994), sendo que, em termos individuais, Fyodor Cherenkov sagrou-se o melhor jogador soviético por duas ocasiões (1983 e 1989).

Internacional soviético por 34 ocasiões (12 golos), a sua maior mágoa foi nunca ter participado numa grande competição internacional de selecções, ainda assim, a lenda de Cherenkov não foi abalada por esse facto e, para os adeptos do Spartak, o médio-centro russo será sempre “O Maior”.

Read Full Post »

Alex com a camisola do Canadá

Quando chegou à Madeira em 1993, tratava-se de um jogador desconhecido que vinha de uma temporada sem nenhum sucesso ao serviço dos ingleses do West Ham. Para além disso, apenas se sabia que tinha representado o Canadá no Mundial sub-20 de 1985, na então União Soviética e que tinha jogado em clubes pouco expressivos como o Hamilton Steelers, Toronto Blizzard e Montreal Supra. Assim sendo, ter-se tornado no melhor marcador de sempre do Marítimo na Liga Portuguesa (59 golos) e ter-se assumido como um dos melhores jogadores de sempre a envergar a camisola verde-rubra foi, para os maritimistas, uma enorme, mas muito agradável surpresa.

Nascido a 18 de Junho de 1967 na Guiana, cresceu no Canadá, onde começou a jogar futebol profissional ao serviço dos Hamilton Steelers, passando depois pelos Toronto Blizzard e Montreal Supra. Nesses clubes de pequenas ligas da América do Norte, Alex Bunbury assumiu-se como um grande goleador e, assim, apesar de se tratarem de ligas com pouca expressão, o West Ham arriscou e contratou-o para a época 1992/93.

No clube inglês, apenas fez seis jogos em todas as competições e, esse insucesso, parecia que o iria devolver aos campeonatos norte-americanos, quando, de súbito, surgiu o interesse do Marítimo.

Chegado aos madeirenses para a temporada 1993/94, Alex assumiu-se como um grande símbolo do Marítimo, permanecendo por seis épocas e marcando 59 golos em 165 jogos da principal liga portuguesa. Avançado rápido, forte, bom tecnicamente e inteligente em termos tácticos, fez duplas inesquecíveis com jogadores como Paulo Alves ou Edmilson, ficando, para sempre, na memória dos madeirenses.

Durante o seu percurso nos verde-rubros, foi considerado o melhor estrangeiro do campeonato português na temporada 1994/95, época em que ajudou os madeirenses a atingir a final da Taça de Portugal, perdida para o Sporting (0-2, bis de Iordanov).

Depois de ter brilhado no Marítimo, transferiu-se para os Kansas City Wizards da Major League Soccer, mas, aos 32 anos,  já estava numa fase bem decrescente da carreira, fazendo apenas quatro golos em 24 jogos e retirando-se, apenas um ano depois, em 2000.

Internacional canadiano por 64 vezes, estando presente no Mundial sub-20 em 1985 na URSS e, curiosamente, no primeiro Mundial de futsal, disputado, em 1989, na Holanda, Alex Bunbury entrou no “hall of fame” do futebol canadiano em 2006.

Neste momento, vive com a sua mulher e filhos em Minnesota nos Estados Unidos, onde é um treinador das camadas jovens.

Read Full Post »

Igor Netto com a Taça do Euro 60

Num URSS-Uruguai do Mundial 1962, o resultado estava igualado a uma bola, quando o atacante da União Soviética, Igor Chislenko, desferiu um remate que entrou na baliza pelo lado de fora da mesma. O árbitro preparava-se para validar o golo, quando Igor Netto, capitão da selecção soviética, se dirigiu ao juiz e informou-o que, na verdade, aquela bola não tinha entrado na baliza. A URSS acabaria por ganhar o jogo na mesma (2-1), mas o que ficou para a posterioridade foi o gesto de Netto, um médio ofensivo de enorme qualidade, classe e carácter e que brilhou ao serviço das duas únicas camisolas que vestiu na sua longa carreira: a da URSS e a do Spartak Moscovo.

 

Igor Aleksandrovich Netto nasceu em Moscovo a 9 de Janeiro de 1930 e começou a actuar no seu clube de sempre (Spartak de Moscovo) em 1949, na altura, como defesa-esquerdo, no entanto, a sua enorme qualidade técnica fê-lo saltar primeiro para médio ala esquerdo e, posteriormente, para um magistral organizador de jogo. Netto era daqueles elementos que conseguia aliar a habitual frieza do futebol soviético, a uma técnica e criatividade quase latina, o que o transformava num jogador único.

No histórico clube de Moscovo, Netto esteve durante 17 anos (1949-1966) e, durante esse período, o médio soviético fez 37 golos em 367 jogos, conquistando cinco campeonatos soviéticos e três Taças da URSS.

Na selecção da União Soviética, num tempo em que os jogos de selecções não abundavam, Igor Netto disputou 54 jogos e apontou 4 golos, tendo conquistado o torneio olímpico de 1956 em Melbourne e o Campeonato da Europa de 1960, disputado em França. Presente no Mundial 1962, onde ajudou a URSS a atingir os quartos de final, Netto falhou o Mundial 1958, numa altura em que estava no auge da sua carreira, por lesão.

Após terminar a carreira como jogador de futebol, iniciou um percurso como treinador, que o levou a treinar o Omónia Nicósia, Shinnik, Selecção do Irão, Panionios e Neftchi Baku, tendo, ainda, sido treinador adjunto do Spartak Moscovo, tal como responsável do centro de formação e prospecção desse mesmo clube moscovita.

Agraciado com a ordem de Lenine em 1957, Igor Netto viu, também, o Estádio de reservas do Spartak Moscovo ter o seu nome. Duas distinções justíssimas para um dos melhores jogadores soviéticos de todos os tempos.

Read Full Post »

Older Posts »