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André Gomes é essencialmente um criativo

André Gomes é essencialmente um criativo

Certamente que muitos foram os que ficaram ontem bastante surpreendidos com a pobre exibição de André Gomes no duelo entre Portugal e Argentina, em que o médio luso pareceu decidir sempre mal e acabou por ser completamente engolido pelo pressionante e operante meio-campo sul-americano.

Afinal, estamos a falar de um jogador que tem sido um dos homens do momento em Espanha, isto por se assumir, neste momento, como uma peça chave no meio-campo do Valência de Nuno Espírito Santo. Aliás, o internacional português já foi inclusivamente apontado como possível sucessor de Xavi no miolo do Barcelona, o que é sintomático deste impacto abrupto.

Ainda assim, para se perceber as razões para este ocaso, é necessário compreender as características inatas do jovem de 21 anos e comparar a forma de jogar do Valência e da selecção nacional, podendo-se até recuar até à temporada passada e perceber, igualmente, porque é que André Gomes nunca teve no Benfica de Jorge Jesus, o rendimento que apresenta agora na Comunidade Valenciana.

Carências de intensidade obrigam a “guarda-costas” fortes

As principais lacunas de André Gomes encontram-se nos baixos índices de agressividade e intensidade de jogo, situação que acaba por não ter tanta relevância no Valência, uma vez que a equipa orientada por NES, na maioria das partidas, coloca Daniel Parejo e Javi Fuego (essencialmente este último) em funções mais defensivas e de equilíbrio táctico do miolo central, enquanto ao internacional português é lhe atribuída, quase em exclusivo, a função de criativo, potenciando assim o ex-jogador do Benfica aquelas que são as suas principais qualidades, que se encontram ao nível da evoluída técnica, visão de jogo e excelente capacidade de passe.

Ora, na selecção portuguesa, André Gomes encontra normalmente um meio-campo em 6x8x8, com um médio-defensivo e dois “box-to-box” que são obrigados a uma missão muito desgastante, uma vez que os obriga a ser, ao mesmo tempo, equilibradores e criadores. Aqui, afinal, os principais talentos que se pedem a um jogador passam por este ser acima de tudo: intenso, pressionante e agressivo, exactamente as lacunas que o jovem do Valência ainda tem nesta fase da sua carreira.

Mais que a táctica, a estratégia

Isto não significa, contudo, que tudo se resolva automaticamente com a colocação de André Gomes a “dez”, uma vez que foi precisamente nessa posição que o futebolista iniciou ontem o jogo com a Argentina, isto num 4x4x2 losango em que Fernando Santos colocou Tiago a seis, e Danny e João Moutinho como interiores. É que um “dez” nos conceitos estratégicos do novo seleccionador nacional tem de ser igualmente pressionante e agressivo, preocupando-se tanto com o processo defensivo como os restantes elementos do miolo.

Perante este cenário adverso, André Gomes acabou por jamais conseguir oferecer nada de muito positivo à equipa, perdendo incontáveis bolas que se acumulavam à medida que enfrentava um meio-campo argentino que apresentava as qualidades que o luso não tem.

Sofria com exigências de Jesus

Aliás, se o internacional português nunca conseguiu exibir-se no Benfica de Jorge Jesus como o faz no Valência de NES, isso deve-se exactamente às maiores exigências do experiente técnico encarnado para quem joga na função à frente do médio-defensivo, a quem pede que seja quase um “super-homem”, como foi Enzo Pérez ao longo das duas últimas temporadas.

André Gomes, e falo neste momento porque existe grande margem de tempo para que o médio evolua nas suas lacunas, precisa essencialmente de um estratega que saiba potenciar ao máximo as suas qualidades e disfarçar as suas deficiências, e esse homem tem sido Nuno Espírito Santo, isto ao ponto de catapultar as exibições do jovem luso para um patamar de excelência na Liga Espanhola. Quanto aos outros, enquanto não perceberem que não podem colocar André Gomes em funções para as quais não está talhado, continuarão a conhecer a sua face mais negra.

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Keita foi um fenómeno do Mali

Foi garantidamente o melhor jogador maliano de sempre, figurando, também, entre os melhores executantes que África já ofereceu ao Mundo do futebol. O estilo gingão e por vezes excessivamente individualista era sempre perdoado, pois o avançado rapidamente oferecia rasgos individuais assombrosos e golos de outro Mundo, o que deixava todos os adeptos num misto de espanto e perplexidade. Aos 29 anos, perto do final da carreira, viajou até Alvalade, onde durante três épocas maravilhou os sportinguistas e os portugueses em geral com o perfume do seu futebol, garantindo, com todo o merecimento, um lugar importante na história do Sporting Clube de Portugal.

Chegou ao Saint-Etienne com 20 anos

Salif Keïta Traoré nasceu a 8 de Dezembro de 1946 em Bamako, Mali, tendo chegado a França com 20 anos, após quatro épocas a actuar no seu país natal em clubes como o Stade Malien e o Real Bamako.

Em terras gaulesas, o seu destino foi o Saint-Etienne, onde permaneceu entre 1967 e 1972, sagrando-se tri-campeão francês (1968 a 1970) e vencedor da Taça de França em 1967/68 e 1969/70. Em “Les Verts”, o avançado maliano marcou 125 golos em 149 jogos, destacando-se a época de 1970/71, onde o ponta de lança marcou 41 golos no campeonato gaulês.

Saiu de França por não querer assumir nacionalidade gaulesa

No Verão de 1972, Salif Keita trocou o St. Etienne pelo Marselha, onde actuou durante a temporada de 1972/73, marcando 10 golos em 18 partidas. No final da época, os responsáveis do clube do sul de França pretendiam que o atacante se naturalizasse francês, todavia, o maliano rejeitou e preferiu abandonar o Marselha no final da temporada.

Além de abandonar Marselha, Keita também abandonou França, transferindo-se para os espanhóis do Valência. Na chegada ao clube “ché”, o atacante maliano foi brindado com manchetes algo racistas, pois um jornal espanhol brindou-o com o seguinte título: “El Valencia va a por alemanes y vuelve con un negro”, ou seja, “O Valência tenta ir comprar germânicos e volta com um negro.”

Apesar disso, o internacional pelo Mali haveria de permanecer três temporadas em Valência, sendo sempre adorado pelos adeptos valencianos e recebendo, inclusivamente, a alcunha de “Pérola Negra.” No período em que actuou em Espanha, Keita apontou 23 golos em 74 jogos, todavia, sempre se queixou que jogou fora da posição natural, o que o impediu de números ainda mais “gordos.”

Keita com a camisola do Sporting

Chegou ao Sporting ainda a tempo de maravilhar tudo e todos

Depois da experiência no futebol espanhol, Keita viajou ainda mais a oeste, transferindo-se para Lisboa e para o Sporting Clube de Portugal. No clube verde-e-branco, o atacante maliano haveria de permanecer entre 1976 e 1979, tendo a ingrata missão de esquecer Yazalde.

Por um lado, cedo se percebeu que o africano não tinha a mesma capacidade goleadora do argentino, todavia, todos ficaram maravilhados com a capacidade técnica e genialidade do internacional pelo Mali. De facto, nas três temporadas que esteve em Alvalade, Keita marcou aquilo que Yazalde costumava fazer numa época (32 golos), todavia, a classe e o perfume do seu futebol jamais serão esquecidos pelos adeptos sportinguistas, mesmo que, nesse período, Salif Keita só tenha conseguido conquistar uma Taça de Portugal.

Em 1979, após abandonar o Sporting, o atacante maliano transferiu-se para o campeonato norte-americano, onde terminou a carreira ao serviço do New England Tea Men, marcando 17 golos em 39 desafios.

Vice-campeão africano pelo Mali

Salif Keita foi internacional maliano entre 1963 e 1972, marcando 11 golos em 13 internacionalizações. Nesse percurso, o seu momento mais alto foi o vice-campeonato africano de 1972, quando o Mali chegou à final após empates com o Togo (3-3), Quénia (1-1) e Camarões (1-1) na fase de grupos e novo empate diante do Zaire (agora República Democrática do Congo) a um golo nas meias-finais.

Nesse desafio diante do Zaire, a equipa maliana teve a sorte de superar o seu adversário nas grandes penalidades (4-3), mas teve o azar de perder Salif Keita, por lesão, para o jogo decisivo com a República do Congo. Nessa final, sem a sua grande estrela, o Mali haveria de perder por 3-2, privando o país e a sua pérola negra de um grande título internacional…

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Ilídio Vale também teve boas individualidades

Apesar de Portugal se ter imposto principalmente pela sua qualidade colectiva, existem jogadores que se destacaram individualmente dos demais, levando-nos a acreditar que possam ter um maior futuro no Mundo do futebol, dadas as enormes capacidades que revelaram no campeonato mundial disputado na Colômbia. Nesse seguimento, escolhi oito jogadores portugueses que, na minha opinião, demonstraram mais qualidade e talento para que consigam superar a difícil transição para o futebol profissional. Esses jogadores são Mika, Cedric, Mário Rui, Roderick, Nuno Reis, Danilo, Caetano e Nélson Oliveira.

Mika é um guarda-redes elástico

Mika – Guarda-redes – 20 anos – Benfica

Com enorme envergadura (1,88 metros), Michael Simões dos Santos “Mika” tem tudo para vingar no futebol profissional, pois reune todas as qualidades para um jogador da sua posição.

Ao longo do campeonato do Mundo, Mika assumiu-se como um guarda-redes frio, seguro pelo ar e pelo chão, destacando-se pelos bons reflexos e maturidade de realce para alguém tão jovem.

Ainda assim, numa fase tão embrionária do seu crescimento futebolístico, talvez se justificasse o empréstimo a um clube onde pudesse jogar, do que se manter como terceiro guarda-redes do Benfica.

Cedric espera crescer na Briosa

Cédric Soares – Lateral-direito – 19 anos – Sporting (cedido à Académica)

Lançado precocemente na equipa principal do Sporting durante a época passada, Cedric Soares foi uma das boas surpresas neste campeonato do Mundo de sub-20.

Bom no processo ofensivo e nas transições defesa/ataque e ataque/defesa, o actual jogador da briosa é muito bom tecnicamente e nunca se retrai perante a oposição, mostrando ser raçudo e guerreiro o quanto baste.

Neste momento, cedido à Académica, terá todas as possibilidades para continuar a crescer como futebolista e tornar-se uma alternativa para o Sporting e para selecção nacional.

Mário Rui é um lateral-esquerdo talentoso

Mário Rui – Lateral-esquerdo – 20 anos – Parma (cedido ao Gubbio)

Apesar de muito jovem, Mário Rui já passou por Sporting, Benfica e Valência, estando agora ligado contratualmente ao Parma, ainda que tenha sido cedido ao modesto Gubbio da Série B italiana.

Actuando numa posição onde Portugal é historicamente fraco (Fábio Coentrão é uma das felizes excepções…), Mário Rui surpreendeu pela velocidade e pela capacidade como sobre no terreno com a bola controlada, sendo muito efectivo tanto no capítulo do cruzamento, como, inclusivamente, na finalização.

O seu empréstimo a um modesto clube da Série B poderá ajudá-lo na adaptação ao difícil calcio e a permitir-lhe evoluir de forma decisiva em termos tácticos.

Roderick é uma aposta de futuro dos encarnados

Roderick – Defesa-central – 20 anos – Benfica (cedido ao Servette)

Outra das confirmações portuguesas neste campeonato do Mundo de sub-20 foi Roderick Miranda, um defesa-central que pouco jogou na última temporada ao serviço do Benfica, mas que acaba de ser cedido ao Servette para que possa actuar com maior regularidade.

Defesa-central alto (1,91 metros) e possante, é muito bom no jogo aéreo, mas também é extremamente competente pelo chão, assumindo-se como um jogador rigoroso e eficaz na abordagem aos lances, raramente perdendo a calma ou o posicionamento no terreno de jogo.

Agora, nesta temporada no campeonato suíço, veremos como o defesa-central evolui e se já conseguirá garantir um lugar no plantel encarnado para 2012/13.

Nuno Reis tem brilhado em Brugge

Nuno Reis – Defesa-central – 20 anos – Sporting (cedido ao Cercle Brugge)

A seguir a Nélson Oliveira, Nuno Reis foi claramente o jogador que mais me entusiasmou ao longo do campeonato do Mundo, demonstrando qualidades que o podem elevar a um patamar elevadíssimo no contexto futebolístico luso.

Jogador sóbrio, seguro e eficaz, trata-se de um defesa-central que parece estar sempre no sítio certo para o desarme ou para dobrar um colega, assumindo-se ainda como um líder natural e revelando enormes qualidades técnicas para subir com a bola controlada sempre que para isso tenha chances.

Titular indiscutível do Cercle Brugge em 2010/11, volta nesta temporada ao clube belga para continuar o seu crescimento futebolístico e preparar-se para o inevitável, que é como quem diz, a titularidade no Sporting Clube de Portugal.

Danilo espera vingar em Itália

Danilo Pereira – Médio-defensivo – 19 anos – Parma

Uma das razões para Portugal ter aguentado seis jogos sem sofrer qualquer golo foi um médio-defensivo de origem guineense e que surpreendeu bastante na Colômbia: Danilo Pereira.

Guerreiro incansável na luta do miolo, Danilo não é um jogador muito refinado em termos técnicos, mas assume-se de elevada importância pela enorme envergadura física, eficaz capacidade de desarme e pela forma como ajuda os centrais no processo defensivo e tapa todos os caminhos para a área.

Ligado contratualmente ao Parma, terá poucas hipóteses de jogar nos “gialloblu” e precisará  de ser emprestado a um clube onde possa jogar com regularidade e continuar a evoluir futebolísticamente, pois sabemos que esta fase é fulcral no crescimento de qualquer atleta.

Caetano é um poço de talento

Caetano – Extremo-esquerdo – 20 anos – Paços de Ferreira

Um dos poucos poços de criatividade da equipa nacional na Colômbia residiu na capacidade técnica de um jogador que tem futebol nos genes (o pai actuou inúmeros anos no Tirsense e chegou a ser internacional A) e se assumiu como um extremo desconcertante: Caetano.

Rápido, tecnicamente muito evoluído e com grande objectividade em todas suas movimentações, Caetano foi uma pincelada de classe numa equipa maioritariamente operária, dando mesmo a ideia que poderia e deveria ter sido ainda mais utilizado do que foi ao longo do Mundial.

Pérola do Paços de Ferreira, está no clube certo para continuar a sua ascensão no futebol português, sendo provável que dê um salto para um clube de outra envergadura daqui a uma ou duas épocas.

Nélson Oliveira poderá ser o futuro “nove” luso

Nélson Oliveira – Ponta de lança – 20 anos – Benfica

O ponta de lança da equipa das quinas sagrou-se com toda a justiça o segundo melhor jogador do campeonato do Mundo, prémio mais que merecido para um jogador que, por vezes, parecia lutar contra o Mundo e mesmo assim conseguia fazer o que pretendia, tal como é exemplo o golo que marcou ao Brasil.

Abandonado entre os centrais adversários durante todo o Mundial, Nélson Oliveira nunca cedeu às dificuldades, tornando-se, ao invés, num pesadelo para os adversários, que não sabiam como parar um avançado possante (1,86 metros) mas que também reúne inúmeras qualidades técnicas e de finalização.

Neste momento, após os empréstimos ao Rio Ave e Paços de Ferreira, terá a sua prova de fogo ao serviço da equipa sénior do Benfica, todavia, nesta fase, já ninguém duvida que o destino do avançado-centro será o sucesso ao serviço das águias e da equipa principal portuguesa.

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O adversário dos bracarenses é um clube que, na segunda metade da década de 2000, assumiu-se como uma das grandes equipas do contexto médio-alto do futebol europeu. Os andaluzes, desde 2005, conquistaram duas Taças UEFA, duas Taças do Rei, uma Supertaça Europeia e uma Supertaça de Espanha, estando, por certo, lado a lado com o Valência, na perseguição aos dois grandes dominadores do futebol castelhano: Barcelona e Real Madrid. Assim sendo, nesta eliminatória com o Sevilha, o grande trunfo dos arsenalistas é a total ausência de pressão, pois o favoritismo, esse, está totalmente do lado da equipa de Luís Fabiano, Kanouté e Diego Capel.

Quem é o Sevilha

Fundado em 1905, o Sevilha conquistou o seu primeiro troféu em 1914, quando conquistou a Taça de Sevilha. Posteriormente, até ao final da primeira metade do século XX, a equipa andaluza conquistou a segunda divisão por duas ocasiões (1929 e 34), a Taça do Rei por três vezes (1935, 38 e 48) e, mais importante do que tudo, o título espanhol em 1946. O único campeonato que o Sevilha venceu em toda a sua história.

No entanto, se a primeira metade do século XX foi de alguns títulos para o Sevilha, a segunda parte foi de muito menor fulgor, com a equipa andaluza a não conquistar qualquer troféu importante e, inclusivamente, a cair na segunda divisão em algumas ocasiões.

O ressurgimento sevilhano surgiu em 2001, quando a equipa conquistou a segunda divisão e solidificou-se definitivamente na primeira divisão. De forma sustentada, a equipa foi crescendo e, a partir da segunda metade da década de 2000, os títulos voltaram, com a equipa do Sevilha a conquistar a Taça UEFA em 2006 e 2007, a Taça do Rei em 2007 e 2010, a Supertaça europeia em 2006 e a Supertaça espanhola em 2007. Para além disso, a equipa tornou-se numa equipa da primeira metade da tabela da “La Liga”, participando, regularmente, na “Champions”.

Como joga

A equipa do Sevilha deve apresentar um 4-4-2 com um duplo-pivot de grande qualidade (Zokora-Renato), dois alas com enorme capacidade desequilibradora (Perotti, à esquerda, e Jesus Navas no flanco oposto) e dois pontas de lança que são um perigo para qualquer defesa (Kanouté e Luís Fabiano).

Os andaluzes também são muito fortes em termos ofensivos, jogando com grande velocidade e qualidade técnica e tendo, inclusivamente, muita qualidade no jogo aéreo, onde, principalmente Kanouté, é muito perigoso.

Na defesa, a equipa não tem a mesma qualidade que no ataque. Ainda assim, a equipa não tem razões de queixa, pois tem uma dupla de centrais bastante forte (Escudé-Fazio) e que se completa, pois o francês é mais forte pelo chão e o argentino é imperial no jogo aéreo, um guarda-redes que transpira segurança (Palop) e dois laterais que, sem serem exuberantes, são bastante competentes (Dabo, à direita e Fernando Navarro, no flanco oposto).

Em suma, um onze muito forte e que só um Sp. Braga de grande superação poderá ultrapassar.

Jesus Navas supera um defesa

Quem é que os arsenalistas devem ter debaixo de olho – Jesus Navas

Aos 24 anos, Jesus Navas é uma certeza do futebol espanhol e, por certo, uma estrela deste Sevilha.

Chegou ao clube andaluz com apenas 14 anos e bastaram apenas três anos nas camadas jovens para que, em 2003, fosse aposta na equipa sénior do Sevilha, estrando-se a 23 de Novembro, dois dias após ter completado dezoito anos, numa derrota em Barcelona, diante do Espanhol (0-1).

A partir desse momento, foi conquistando o seu lugar na equipa espanhola, tornando-se na grande promessa do Sevilha, terminando, invariavelmente, quase todas as épocas como o rei das assistências.

Na última temporada (2009/10), Navas esteve presente em 50 jogos oficiais do Sevilha e foi, provavelmente, a grande estrela da equipa, brilhando no flanco direito do ataque e fazendo inúmeros passes decisivos que resultaram em golos importantes para a equipa espanhola.

Presente no Mundial sul-africano e sagrando-se campeão do mundo pela Espanha, Jesus Navas é, apesar da juventude, um jogador de grande experiência e talento e que será, por certo, um quebra-cabeças para a defesa bracarense, que terá de estar muito concentrada para o parar.

As hipóteses bracarenses

Vamos ser realistas, o Sevilha é o grande favorito para este duelo europeu diante do Sporting de Braga. A equipa espanhola tem muito mais experiência europeia, um plantel com mais qualidade e, acima de tudo, muito mais soluções e, dificilmente deixará fugir a oportunidade de chegar à Liga dos Campeões.

Ainda assim, os arsenalistas podem jogar com o facto de não terem qualquer obrigação de eliminar os espanhóis e, acima de tudo, rezar para que o Sevilha tenha dois dias maus nos duelos europeus com a equipa portuguesa.

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Tacticamente rigoroso e competente

A chamada de Ricardo Costa foi uma surpresa na convocatória para o mundial da África do Sul e, à partida, o seu espaço na equipa seria reduzido. Apesar de alguma dificuldade em ser imprescindível nos clubes por onde passa, conta com uma carreira recheada de títulos e experiência em equipas vencedoras.

Começou por jogar nas camadas jovens do Boavista, mas transferiu-se para o FC Porto ainda nos escalões de formação. A sua incursão no futebol sénior começou por uma passagem pela equipa B do FC Porto, onde defendeu a camisola azul e branca, na Segunda Divisão B, nas temporadas 1999/00 e 2000/01. Integrou o plantel principal na temporada 2001/02, actuando simultaneamente na equipa B. Mas, foi em 2002/03, pela mão de José Mourinho, que começou a conhecer o sabor da vitória, fazendo parte da magnífica equipa que conquistou dois campeonatos nacionais, uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões e uma Taça de Portugal. Continuou no clube portista e voltou a conquistar títulos (uma Taça Intercontinental, um campeonato nacional e uma Taça de Portugal), mas apesar de fazer parte do plantel até 2007, nunca se impôs como uma peça fundamental na equipa, acabando por rumar ao estrangeiro para jogar no Wolfsburg (2007/08). Na Alemanha, jogou duas temporadas e meia voltou a conhecer a vitória com a conquista do campeonato na época 2008/09, transferindo-se para o Lille a meio da temporada transacta e ajudando o clube francês a alcançar o 4º lugar na liga francesa. Na próxima época irá jogar no Valência de Espanha.

Fez o percurso das camadas jovens somando 23 internaticonalizações sub-21 e marcando presença na equipa olímpica que disputou os Jogos Olímpicos de Atenas (2004). Na selecção principal, estreou-se em 2005 e fez parte das escolhas de Scolari para o Mundial 2006, na Alemanha. Quatro anos depois, volta a marcar presença numa campeonato do mundo e já deu o seu contributo à equipa, no empate frente ao Brasil.

Ricardo Costa não é um central alto (1,83m), nem é especialmente rápido ou tecnicamente dotado. O seu estilo é o de um central duro e de marcação. A sua polivalência, fruto de uma boa capacidade táctica, é uma das suas maiores mais valias no apoio à equipa, podendo, sempre que necessário, desempenhar qualquer posição na defesa – seja como central ou como um lateral mais defensivo que fecha o corredor, como o vimos actuar algumas vezes. Frente ao Brasil jogou fora da sua posição habitual e apesar de sentir dificuldades em alguns lances, contribuiu para a consistência defensiva que a equipa demostrou.

Quando olhamos para os vinte e três escolhidos por Queirós, Ricardo Costa poderá aparentar ser apenas uma opção de recurso, mas a sua experiência e polivalência poderão ser importantes para a consistência da equipa.

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miguel portugal

Miguel na selecção de portugal

Jogador importante no passado recente da selecção portuguesa, Miguel, de 30 anos, tem perdido espaço na equipa das quinas. Perante as alternativas existentes para o lugar de defesa direito, será Miguel, ainda, uma mais valia?

Começou a sua carreira, como extremo direito, no Estrela da Amadora, onde jogou até se transferir para o Benfica em 2000. No clube da luz, jogou durante cinco temporadas, conquistou um campeonato e uma taça de Portugal, e fez a sua transição para a posição que o viria a consagrar como jogador: defesa direito. As boas exibições de águia ao peito e com a camisola da selecção nacional fizeram despertar o interesse de clubes de campeonatos mais competitivos, e em 2005, Miguel assina um contracto com o Valencia FC, numa transferência de 7,5 milhões de euros. Em Espanha, afirma-se na primeira equipa e ganha o lugar de defesa direito, tendo, em cinco anos, completado 132 jogos na primeira liga espanhola.

Na selecção, Miguel estreou-se em 2003, frente à Itália, mas foi no Euro2004 que brilhou, fazendo um grande campeonato e afirmando-se como um dos melhores laterais do futebol europeu. Nos últimos tempos, tem perdido espaço na selecção, em especial pela ascensão de Bosingwa. Mas, a lesão do lateral do Chelsea facilitou a sua presença entre os 23 convocados para o mundial da África do Sul.

Miguel caracterizou-se por ser um lateral aguerrido, rápido e bom no apoio ao ataque. No entanto, tem vindo a perder o seu fulgor e velocidade, já não sendo tão temível no apoio ao ataque, nem capaz de recuperar tão bem a posição quando sobe pelo corredor direito. O seu sentido posicional não é muito forte, e se, noutros tempos, colmatava esse facto com velocidade na recuperação dos espaços, hoje em dia, essa debilidade encontra-se mais exposta. É indiscutível que continua a ser um bom jogador, mas poderá já não ser a mais valia que a selecção necessita, em especial por ter vindo a perder a capacidade de desequilibrar naquelas que eram as suas mais valias.

Paulo Ferreira é a primeira escolha de Carlos Queirós para o lado direito da defesa e Miguel, provavelmente, não terá a oportunidade de jogar neste mundial. Especialmente, pela chegada de última hora de Rúben Amorim, que se demonstrar nos treinos a boa forma com que acabou a época, poderá mesmo discutir um lugar no onze inicial.

Tendo em conta o seu historial e qualidade, não podemos afirmar que Miguel é um jogador a mais na selecção. Mas, em função das alternativas existentes, Miguel será apenas mais um jogador que Carlos Queirós decidiu incluir na sua convocatória para o campeonato do mundo.

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A Espanha já participou em doze campeonatos do mundo, todavia, o melhor que conseguiu foi um quarto lugar há exactamente 60 anos (Mundial 1950). Normalmente, os castelhanos esperam sempre muito da sua selecção, mas esta costuma, invariavelmente, falhar nos momentos chave, todavia, todos acreditam que será diferente desta vez. A Espanha tem, por certo, uma das melhores equipas da sua história (talvez a melhor), é campeã da Europa e fez uma fase de qualificação em que, em dez jogos, venceu dez. Assim sendo, todos entendem que, se a Espanha não ganhar desta vez, jamais o fará…

A Qualificação

Integrada no grupo 5, que até não era dos mais fáceis (Bósnia, Turquia, Bélgica, Arménia e Estónia), a Espanha fez uma fase de apuramento completamente imaculada, vencendo todos os jogos e deixando o segundo classificado (Bósnia) a onze pontos.

Resultados como a goleada na Bósnia (5-2) e na recepção à Bélgica (5-0) são a prova da força da “Roja”, que chega, assim, ao campeonato do mundo, como um dos principais candidatos à vitória final.

Grupo 5 – Classificação

  1. Espanha 30 pts 
  2. Bósnia-Herzgovina 19 pts
  3. Turquia 15 pts
  4. Bélgica 10 pts
  5. Estónia 8 pts
  6. Arménia 4 pts

O que vale a selecção espanhola?

A equipa de Vicente del Bosque é muito forte em termos colectivos e individuais, tendo talento em todos os sectores do terreno. Além disso, não contam apenas com um onze, pois os suplentes também são de uma qualidade quase ao nível dos titulares da “Roja”.

Um bom exemplo é a baliza, que será defendida pelo excepcional: Iker Casillas, mas que tem como suplentes, nomes como Pepe Reina e Victor Valdés.

Depois, o quarteto defensivo deverá ser composto por uma excelente dupla de centrais: Piqué-Puyol. Uma dupla que se completa, pois Puyol é muito bom pelo chão, autêntica carraça para os avançados contrários, mas, sendo baixo, conta com Piqué para mandar nas alturas e garantir a segurança no jogo aéreo dos castelhanos. Por outro lado, nas laterais, deverão aparecer Capdevilla (à esquerda) e Sérgio Ramos (à direita). São dois elementos muito competentes a defender, principalmente o jogador do Real Madrid, que sabe encostar aos centrais sempre que necessário (trata-se de um central de origem), mas também são muito bons a subirem no flanco, nomeadamente Capdevilla que, muitas vezes, aparece na frente quase como um extremo.

Apesar de todos os sectores serem de grande qualidade, o meio campo é, sem dúvida, o ponto mais forte da “Roja”, roçando mesmo a perfeição. A equipa deverá jogar em losango, com Busquets a aparecer no vértice defensivo, pois trata-se de um jogador de grande inteligência táctica e que equilibra todo o jogo dos espanhóis. Depois, nas alas, deverão aparecer David Silva (à esquerda) e Iniesta (à direita). Dois atletas com dupla função, pois terão de procurar ganhar a linha, mas, também terão de saber ser interiores sempre que necessário. Por fim, no vértice ofensivo, deverá aparecer Xavi, um jogador que dispensa apresentações por todo o talento, inteligência e criatividade que dá ao jogo. No banco, a Espanha ainda conta com nomes como Xabi Alonso, Fábregas ou Jesus Navas que dão ideia do poderio da “Roja”

Chegando ao ataque, não diminuímos de qualidade, pois a dupla de ataque é composta por dois elementos móveis, raçudos, que não descanso aos defesas e que, acima de tudo, não perdoam na hora de atirarem à baliza: Fernando Torres e David Villa. Um poder de fogo que todos esperam que dê muitos golos à Espanha durante o Mundial 2010.

O Onze Base

Actuando em 4-4-2 losango, a Espanha deverá apresentar Iker Casillas (Real Madrid) na baliza; Capdevilla (Villarreal), Piqué (Barcelona), Puyol (Barcelona) e Sérgio Ramos (Real Madrid) na defesa; Busquets (Barcelona), David Silva (Valência), Iniesta (Barcelona) e Xavi (Barcelona) no meio campo; Fernando Torres (Liverpool) e David Villa (Barcelona) no ataque.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Pela enorme qualidade da selecção espanhola, um grupo composto por Chile, Suíça e Honduras não lhes deve causar grande mossa. A “Roja” deverá passar o agrupamento com relativa facilidade e o seu verdadeiro campeonato do mundo apenas deve começar nos oitavos de final da prova.

Calendário – Grupo H (Mundial 2010)

  • 16 de Junho: Espanha vs Suíça
  • 21 de Junho: Espanha vs Honduras 
  • 25 de Junho: Espanha vs Chile
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