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Jesus mantém o Benfica no topo

Luís Filipe Vieira voltou a vencer confortavelmente as eleições para a presidência do Benfica, sendo que, neste momento, muitas das críticas dos adeptos encarnados se dirigem ao seu treinador, Jorge Jesus, deixando um pouco de lado Luís Filipe Vieira, Presidente que, valha a verdade, pouco fez para que o Benfica tivesse um 2012/13 de sucesso.

Neste momento, o plantel do Benfica é desequilibrado e, por mais que custe admitir a muitos benfiquistas, bastante inferior ao do FC Porto. É verdade que os encarnados têm individualidades de enorme qualidade e um ataque de luxo (a contratação de Lima foi uma excelente decisão de…Jesus), todavia, as saídas de Witsel e Javi García deixaram o meio-campo defensivo entregue a Matic e o castigo de Luisão, deixou o esforçado, mas pouco qualificado Jardel como titular ao lado de Garay.

Para além disso, o Benfica denota muitas fragilidades no lado esquerdo da defesa, onde conta com Melgarejo e Luisinho, dois jogadores que, por mais que se tente provar o contrário, não têm valor para vestir a camisola encarnada e, do lado direito, apenas conta com Maxi Pereira, sendo que o pânico varre os adeptos do Benfica sempre que o internacional uruguaio se lesiona ou é castigado.

Perante todas estas condicionantes e tendo em conta o plantel azul-e-branco, pensou-se que dificilmente o Benfica teria capacidade para ombrear com o FC Porto, principalmente até Janeiro, altura em que duas ou três aquisições podiam reequilibrar o plantel das águias. No entanto, Jorge Jesus tem conseguido não descolar dos dragões, mesmo contando com muito menos soluções que o seu adversário nortenho.

De facto, o Benfica continua na frente do campeonato (ex-aequo com os dragões), somando seis vitórias e dois empates, mantém-se sólido na Taça de Portugal e apenas tem vacilado na Liga dos Campeões, ainda que a lógica convide a pensar que duas vitórias caseiras diante de Celtic e Spartak Moscovo até podem garantir a qualificação para os oitavos de final.

Aqui, o mérito é de Jorge Jesus, que tem conseguido manter um excelente desempenho colectivo da sua equipa com todas as condicionantes que lhe ofereceram e, acima de tudo, sem nunca ter usado qualquer tipo de desculpa, mesmo quando não lhe deram o lateral-esquerdo que queria (Eliseu) ou quando o privaram de dois titularíssimos da equipa em cima do fecho das transferências (Witsel e Javi).

Neste momento, ainda assim, os adeptos pedem muito mais a sua cabeça que a de Luís Filipe Vieira que continua a ser (quase) idolatrado pela grande maioria dos benfiquistas, todavia, é Jesus que continua a manter o Benfica no topo e não a gestão do seu Presidente, cabendo aos adeptos encarnados perceberem isso, limitando-se, para isso, a lembrarem-se do que se passou com o Sporting e Paulo Bento…

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A equipa do Euro 2000 deixou saudades

Amanhã, Portugal joga uma cartada decisiva na possibilidade de estar presente no Euro 2012. De facto, basta (quando ouço este basta fico sempre a tremer…) empatarmos na Dinamarca para conquistarmos o quinto apuramento consecutivo para uma fase final de um campeonato da Europa. Um feito de registo, mas que mesmo que seja alcançado, não nos pode afastar de problemáticas que muito nos devem preocupar.

Sei que poderei ser polémico no que vou dizer a seguir, mas, no actual momento, a selecção das Quinas não passa de uma boa equipa. Ideia que por vezes é mascarada pelo facto de contarmos com um dos dois grandes futebolistas do actual contexto futebolístico: Cristiano Ronaldo.

Na realidade, tirando esse fora de série e alguns jogadores acima da média como Fábio Coentrão, Pepe e Nani, Portugal é uma mistura entre bons jogadores e atletas que roçam mesmo a mediania, estando bastante longe das grandes equipas das duas décadas anteriores. Compare-se, por exemplo, os médios Paulo Sousa, Rui Costa e Figo com Raúl Meireles, João Moutinho e Carlos Martins? Aliás, mesmo eternos suplentes de outras gerações como Pedro Barbosa, entrariam de caras no actual meio-campo das quinas.

Neste momento, apenas na lateral-esquerda me parece que Portugal evoluiu verdadeiramente, tendo mantido a qualidade nos flanqueadores ofensivos e, talvez, no centro da defesa, isto, claro, se ainda houvesse Ricardo Carvalho…

O mais incompreensível, na minha opinião, é mesmo a queda acentuada num sector onde sempre fomos fora de série, que é o meio-campo. Há poucos dias, estava a olhar para a selecção da Bélgica (equipa que não vai a uma fase final de uma grande competição desde 2002) e a pensar: Será a tripla Witsel-Fellaini-Defour inferior a Meireles-Moutinho-Martins? E se sair do meio-campo… Lukaku não será melhor que Postiga ou Hugo Almeida? e Kompany e van Buyten não estarão ao nível de Pepe e Bruno Alves?

O futuro não é risonho e o crescente número de jogadores estrangeiros nos três grandes (já nem o Sporting escapa) não irá melhorar o panorama nos próximos tempos. Podemos ter ficado muito orgulhosos com o vice-campeonato mundial de sub-20, mas aquela equipa era uma equipa operária e de pouco talento individual, e, para além disso, não se vislumbra muito espaço para que estes jogadores evoluam convenientemente no campeonato indígena.

Se tudo correr bem, estaremos no Euro 2012 e, pelo grupo de qualificação e por ainda haver Nani e Cristiano Ronaldo na plenitude das suas capacidades, provavelmente estaremos no Mundial 2014 e no Euro 2016 (o alargamento para 24 equipas praticamente o garante), mas, depois de 2016, temos de começar a preparar-nos para algo a que já não estávamos habituados: a ausência dos grandes palcos futebolísticos.

Pode ser que tudo mude e que apareçam vedetas como cogumelos nos próximos tempos, mas, pelo andar da carruagem, é pouco provável que assim seja, restando-nos pensar muito bem neste “futuro” e começar-nos a preparar para tempos em que uma simples qualificação para uma grande competição internacional era festejada como se de uma conquista de um campeonato do Mundo se tratasse…

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