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Posts Tagged ‘Zaire’

Keita foi um fenómeno do Mali

Foi garantidamente o melhor jogador maliano de sempre, figurando, também, entre os melhores executantes que África já ofereceu ao Mundo do futebol. O estilo gingão e por vezes excessivamente individualista era sempre perdoado, pois o avançado rapidamente oferecia rasgos individuais assombrosos e golos de outro Mundo, o que deixava todos os adeptos num misto de espanto e perplexidade. Aos 29 anos, perto do final da carreira, viajou até Alvalade, onde durante três épocas maravilhou os sportinguistas e os portugueses em geral com o perfume do seu futebol, garantindo, com todo o merecimento, um lugar importante na história do Sporting Clube de Portugal.

Chegou ao Saint-Etienne com 20 anos

Salif Keïta Traoré nasceu a 8 de Dezembro de 1946 em Bamako, Mali, tendo chegado a França com 20 anos, após quatro épocas a actuar no seu país natal em clubes como o Stade Malien e o Real Bamako.

Em terras gaulesas, o seu destino foi o Saint-Etienne, onde permaneceu entre 1967 e 1972, sagrando-se tri-campeão francês (1968 a 1970) e vencedor da Taça de França em 1967/68 e 1969/70. Em “Les Verts”, o avançado maliano marcou 125 golos em 149 jogos, destacando-se a época de 1970/71, onde o ponta de lança marcou 41 golos no campeonato gaulês.

Saiu de França por não querer assumir nacionalidade gaulesa

No Verão de 1972, Salif Keita trocou o St. Etienne pelo Marselha, onde actuou durante a temporada de 1972/73, marcando 10 golos em 18 partidas. No final da época, os responsáveis do clube do sul de França pretendiam que o atacante se naturalizasse francês, todavia, o maliano rejeitou e preferiu abandonar o Marselha no final da temporada.

Além de abandonar Marselha, Keita também abandonou França, transferindo-se para os espanhóis do Valência. Na chegada ao clube “ché”, o atacante maliano foi brindado com manchetes algo racistas, pois um jornal espanhol brindou-o com o seguinte título: “El Valencia va a por alemanes y vuelve con un negro”, ou seja, “O Valência tenta ir comprar germânicos e volta com um negro.”

Apesar disso, o internacional pelo Mali haveria de permanecer três temporadas em Valência, sendo sempre adorado pelos adeptos valencianos e recebendo, inclusivamente, a alcunha de “Pérola Negra.” No período em que actuou em Espanha, Keita apontou 23 golos em 74 jogos, todavia, sempre se queixou que jogou fora da posição natural, o que o impediu de números ainda mais “gordos.”

Keita com a camisola do Sporting

Chegou ao Sporting ainda a tempo de maravilhar tudo e todos

Depois da experiência no futebol espanhol, Keita viajou ainda mais a oeste, transferindo-se para Lisboa e para o Sporting Clube de Portugal. No clube verde-e-branco, o atacante maliano haveria de permanecer entre 1976 e 1979, tendo a ingrata missão de esquecer Yazalde.

Por um lado, cedo se percebeu que o africano não tinha a mesma capacidade goleadora do argentino, todavia, todos ficaram maravilhados com a capacidade técnica e genialidade do internacional pelo Mali. De facto, nas três temporadas que esteve em Alvalade, Keita marcou aquilo que Yazalde costumava fazer numa época (32 golos), todavia, a classe e o perfume do seu futebol jamais serão esquecidos pelos adeptos sportinguistas, mesmo que, nesse período, Salif Keita só tenha conseguido conquistar uma Taça de Portugal.

Em 1979, após abandonar o Sporting, o atacante maliano transferiu-se para o campeonato norte-americano, onde terminou a carreira ao serviço do New England Tea Men, marcando 17 golos em 39 desafios.

Vice-campeão africano pelo Mali

Salif Keita foi internacional maliano entre 1963 e 1972, marcando 11 golos em 13 internacionalizações. Nesse percurso, o seu momento mais alto foi o vice-campeonato africano de 1972, quando o Mali chegou à final após empates com o Togo (3-3), Quénia (1-1) e Camarões (1-1) na fase de grupos e novo empate diante do Zaire (agora República Democrática do Congo) a um golo nas meias-finais.

Nesse desafio diante do Zaire, a equipa maliana teve a sorte de superar o seu adversário nas grandes penalidades (4-3), mas teve o azar de perder Salif Keita, por lesão, para o jogo decisivo com a República do Congo. Nessa final, sem a sua grande estrela, o Mali haveria de perder por 3-2, privando o país e a sua pérola negra de um grande título internacional…

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Mas o que é que eu fiz? Parece dizer Ilunga

Aquele momento permanecerá, para sempre, como um dos mais cómicos e caricatos momentos de um campeonato do mundo. O Brasil beneficia de um livre directo em posição frontal contra a equipa do Zaire. Rivelino prepara-se para o remate, o árbitro apita e, de repente, sai da barreira um zairense, que corre para a bola e desfere um remate para bem longe, como se a sua vida dependesse disso. O árbitro respondeu com um amarelo para um pobre Mwepu Ilunga, que o recebeu sem perceber o que tinha feito de errado…

Depois de vencerem a Taça de África de 1974, o Zaire (actual República Democrática do Congo) tornou-se na primeira equipa da chamada “África Negra” a qualificar-se para o campeonato do mundo.

Depois de terem eliminado Marrocos (uma equipa que tinha estado no Mundial 1970), havia enorme expectativa sobre o que podia fazer a equipa zairense no Mundial 74, disputado na Alemanha.

Integrado num grupo com Brasil, Escócia e Jugoslávia, os zairenses estrearam-se diante da equipa britânica e, apesar de terem feito um jogo interessante, pagaram pela sua ingenuidade e perderam (0-2).

Pior, contudo, foi o segundo jogo, diante da Jugoslávia. A equipa zairense fez uma partida deplorável e perdeu por nove bolas a zero. Alguns dos golos sofridos foram de tal maneira ridiculos, que até se questionou se os africanos não estariam a fazer tudo aquilo de forma propositada.

Depois, diz-se que o presidente do Zaire ficou tão revoltado com o resultado dos seus atletas, que mandou dizer-lhes que, se perdessem por mais de três golos com o Brasil, não seriam autorizados a regressar ao seu país.

Assim sendo, foi sobre grande tensão que o Zaire encarou o jogo com os brasileiros e o nervosismo foi aumentando com o primeiro, segundo e terceiro golo dos canarinhos. Com 3-0 no marcador, surge então esse livre contra a selecção africana. Os rostos dos zairenses eram de terror e, quando o arbitro apitou, Mwepu Ilunga saiu disparado da barreira para afastar o perigo o mais rápido possível sem sequer pensar que o que estava a fazer era ilegal segundo as leis de jogo.

Ainda assim, os zairenses seguraram o (0-3) e, como tal, puderam regressar a casa.

Um momento que o futebol nunca irá esquecer para recordar ou descobrir no vídeo abaixo

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Longe vão os tempos da participação do Zaire (actual RD Congo) no mundial de 1974. Nessa competição chocou a forma infantil e, em muitos casos, totalmente ridícula como essa formação africana sofria golos ou via cartões.
Em 1982, os Camarões já mostraram um futebol bem mais competitivo, acabando mesmo a competição sem qualquer derrota (apesar de eliminados na 1ª fase…) e, em 1990, atingiram mesmo os quartos de final, onde apenas foram eliminados pela Inglaterra de Bobby Robson (2-3 a.p.).
Poderão vocês recordarem-me outros exemplos como a Argélia (82) ou Marrocos (86) (Olá Saltillo!), mas apenas me estou a debruçar no futebol da chamada “África Negra”, pois sempre me pareceu o futebol mais talentoso e com mais margem de progressão de África, levando, ano após ano, a uma simples pergunta: Quando será uma Selecção africana campeã do mundo?
Com o sucesso dos Camarões em Itália, esperava-se que os africanos lapidassem melhor os seus defeitos e acreditava-se que, pelo menos em 1998 ou 2002, já houvesse uma equipa africana a lutar por esse título, contudo, isso nunca aconteceu.
As equipas africanas continuam a mostrar as mesmas qualidades e defeitos que a equipa de Roger Milla mostrou em 1982. Se têm técnica elevada, correm o tempo todo, são corajosos e solidários, também, demonstram desconcentrações incompreensíveis, jogam para o público quando deveriam segurar vantagens, demonstram agressividade exagerada o que custa cartões, etc.
Assim sendo, começa-se a acreditar que, independentemente de técnicos europeus ou sul-americanos, as selecções africanas vão sempre mostrar as mesmas qualidades e defeitos, que são, na verdade, inerentes ao seu código genético. Assim, ver futebol africano será sempre um carrossel de emoções como o jogo de ontem (Angola 4-4 Mali) em que uma equipa (Angola) sofreu três (!!!) golos a partir do minuto 88.
Nós, adeptos de futebol, continuamos a agradecer o futebol ofensivo e aquela pureza que só os africanos nos conseguem dar, todavia, é essa mesma magia que tanto nos cativa, que os afasta de ganharem uma grande competição…

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