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Actual líder do campeonato russo, o Zenit São Petersburgo chega a este duelo dos oitavos de final da Liga dos Campeões diante do Benfica após ter ficado em segundo lugar no seu grupo, curiosamente, à frente de outra equipa portuguesa, o FC Porto. Clube milionário graças ao patrocínio da Gazprom (maior empresa de gás do Mundo), o Zenit tem conhecido um passado recente cheio de títulos, tendo conquistado inclusivamente a Taça UEFA em 2007/08 e procurando agora, pela primeira vez na sua história, o acesso aos quartos de final da prova mais importante do continente europeu.

O Zenit actua no Estádio Petrovsky

Quem é o Zenit?

O Zenit São Petersburgo foi fundado em 1925, mas nunca foi um gigante no futebol soviético, tendo apenas ganho uma Taça da União Soviética (1944) e um campeonato soviético (1984), numa fase em que o futebol da URSS era dominado pelos clubes moscovitas e pelo Dínamo Kiev.

No entanto, já depois da dissolução da União Soviética, o clube de São Petersburgo chegou mesmo a cair na nova segunda divisão da Federação Russa, tendo regressado em 1996 e recebido um grande incremento de qualidade quando beneficiou do patrocínio da Gazprom.

Esse enriquecimento haveria de garantir frutos em 2007 com o primeiro título russo, tendo ainda o Zenit conquistado a Taça UEFA em 2007/08, a Supertaça Europeia em 2008 e novo campeonato russo em 2010, assumindo-se, neste momento, como um dos grandes clubes da Rússia, tendo grandes jogadores como Bruno Alves, Danny, Kerzhakov e Criscito.

Luciano Spalletti é o treinador do Zenit

Como joga?

Treinado pelo italiano Luciano Spalletti, o Zenit é um conjunto que sabe praticar bom futebol, mas também é conservador quando necessário, podendo actuar com o bloco demasiado baixo em inúmeras partidas como foi exemplo o duelo diante do FC Porto na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Defensivamente é uma equipa bastante segura, destacando-se Bruno Alves como chave da boa qualidade do sector, tendo depois no ataque elementos rápidos e perigosíssimos como Lazovic ou Faizulin, ainda que esteja orfã por lesão daquele que é a grande estrela da companhia, o internacional português Danny.

No duelo diante do Benfica e apesar das ausências de Danny e Criscito, o clube russo deverá manter o 4x3x3, actuando com um onze que não deve andar longe do seguinte: Zhevnov; Anyukov, Bruno Alves, Hubocan e Lombaerts; Zyrianov, Shirokova e Denisov; Faizulin, Kerzhakov e Lazovic.

Kerzhakov é um avançado de qualidade

Quem é que o Benfica deve ter debaixo de olho? Kerzhakov

Na ausência de Danny, a grande estrela do Zenit é o ponta de lança internacional russo Kerzhakov, jogador que tem grande experiência internacional ao serviço de clubes como o de São Petersburgo, mas também o Sevilha e o Dínamo Moscovo. Produto das escolas do Zenit, o avançado-centro marcou 95 golos em 205 jogos entre 2001 e 2006 com a camisola do clube patrocinado pela Gazprom, tendo garantido depois uma transferência para Espanha e para o Sevilha.

No futebol espanhol, nunca brilhou ao nível que havia feito no Zenit e, assim, regressou à Rússia em 2008, transferindo-se para o Dínamo Moscovo onde, em duas épocas, efectuou excelente registo (59 jogos, 23 golos). De regresso ao Zenit desde 2010, o internacional russo já marcou 33 golos em 59 jogos, tendo sido peça importante na conquista do título russo no ano em que regressou a São Petersburgo.

Pelas suas características: mobilidade, capacidade técnica e enorme frieza na hora de atirar à baliza, trata-se de um jogador que os benfiquistas não deverão deixar respirar neste duelo dos oitavos de final, obrigando a dupla Garay-Luisão a atenções redobradas na marcação ao internacional russo.

Como chegou aos 8/final?

Fase de Grupos:

  • Zenit vs Apoel Nicósia (CHI) 0-0 e 1-2
  • Zenit vs FC Porto (POR) 3-1 e 0-0
  • Zenit vs Shakhtar Donetsk (UCR) 1-0 e 2-2
Classificação:
  1. Apoel Nicósia (CHI) 9 pontos
  2. Zenit 9 pontos
  3. FC Porto (POR) 8 pontos
  4. Shakhtar Donetsk (UCR) 5 pontos

Confrontos com equipas portuguesas em provas da UEFA

Taça UEFA (2005/06): Zenit vs V. Guimarães 2-1

Liga Europa (2009/10): Zenit vs Nacional 1-1 e 3-4

Liga dos Campeões (2011/12): Zenit vs FC Porto 3-1 e 0-0

As possibilidades do Sport Lisboa e Benfica

Por várias razões, entendo que o Benfica é superior ao clube russo, tanto a nível de plantel como das condicionantes que envolvem esta partida: o campeonato russo está parado e a grande estrela do Zenit (Danny) está impedido de actuar por lesão.

Ainda assim, os encarnados terão de ser uma equipa muito inteligente na forma como abordarão a eliminatória, pois o clube russo é uma equipa muito fria e eficaz e, se conseguir um bom resultado em São Petersburgo, não terá qualquer problema de “estacionar o autocarro” no Estádio da Luz para defender a vantagem.

Assim sendo, o Benfica terá de ser uma equipa muito concentrada e matreira o quanto baste, para que possa superar com naturalidade este adversário russo.

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Malafeev segurou o nulo no FC Porto-Zenit

O FC Porto não conseguiu superar o Zenit de São Petersburgo em duelo da Liga dos Campeões e, dessa forma, ficou privado do apuramento para os oitavos de final da prova milionária, situação que para além do prestígio desportivo, também priva os dragões de conquistarem três milhões de euros. Todavia, tanto no plano desportivo como financeiro, será que se tratou de uma eliminação assim tão prejudicial?

Primeiro pensemos pelo plano desportivo. O FC Porto tem uma excelente equipa e, de facto, apenas Falcao está ausente da grande equipa que se exibiu por essa Europa fora na temporada transacta. Todavia, a saída do avançado colombiano não foi minimamente compensada pelos responsáveis azuis-e-brancos, que teriam ficado bem mais servidos com uma solução como a do Sporting (van Wolfswinkel), um atacante móvel, lutador, com sentido de baliza e capacidade de luta, do que com Kléber, que apesar do talento inegável, está a ter muitas dificuldades na transição psicológica de um clube médio para um clube de top.

Para além disso, Vítor Pereira também está a revelar-se um erro de casting, pois revela-se incapaz de motivar a equipa e impotente para oferecer ao FC Porto aquilo que de melhor os portistas ofereceram em 2010/11, uma excelente dinâmica posicional, que fazia com que todos os elementos soubessem o que fazerem dentro de campo. Ontem, diante do conjunto russo, o FC Porto até nem jogou propriamente mal, mas sentia-se que muitos elementos se escondiam do jogo, receosos, algo estranho e pouco habitual no clube azul-e-branco.

Nesse seguimento, partindo do princípio que Pinto da Costa não vai abdicar facilmente de Vítor Pereira e que, financeiramente, será difícil encontrar um avançado que faça a diferença neste mercado de Janeiro, dificilmente um apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões garantiria um percurso muito longo, pois mesmo sendo primeiro do grupo (Curiosamente a derrota do Apoel Nicósia diante do Shakhtar garantia isso ao FC Porto), teria sempre a possibilidade de encontrar equipas complicadas como o Milan, Manchester United (se o Benfica vencer e não houver surpresa na Suíça), Nápoles/Manchester City, etc. E mesmo que tivesse fortuna no sorteio e passasse aos quartos de final, esse seria garantidamente o último degrau para os azuis-e-brancos, pois, aí, só um milagre os faria resistir a um Barcelona, Real Madrid, Bayern ou Chelsea.

Assim sendo, uma passagem para a Liga Europa é muito mais interessante do ponto de vista de crescimento da equipa, pois o FC Porto terá a possibilidade de defrontar equipas exigentes, mas que estão ao seu alcance, podendo, nessa competição, ambicionar perfeitamente o que fez em 2010/11, ou seja, vencer o ceptro.

Por outro lado, em termos financeiros, o desastre também pode não ser assim tão notório, porque vejamos: na Liga dos Campeões, se os portistas passassem aos oitavos de final, recebiam mais 3 milhões de euros, enquanto que se fossem eliminados nos quartos de final, receberiam mais 3,3 milhões de euros, ou seja, um total de 6,3 milhões de euros.

Na Liga Europa, caso o FC Porto chegue às meias-finais, a equipa portista receberá 1,6 milhões de euros, valor que passa para 3,6 milhões caso seja finalista e 4,6 milhões caso vença a Liga Europa. A isso, terá sempre que juntar as receitas de bilheteira e lembre-se que, caso chegue às meias-finais, fará sempre quatro jogos em casa, ao contrário de um jogo caso fosse eliminado nos oitavos de final da “Champions” e dois no caso de ser eliminado nos quartos de final dessa mesma prova.

Depois, há ainda as questões do ranking português na UEFA. A eliminação do FC Porto priva-o imediatamente de cinco pontos bónus, mas, continuando na Liga dos Campeões, dificilmente faria muito mais que isso, ao contrário da Liga Europa. Para terem uma ideia, em 2008/09 o FC Porto chegou aos quartos de final da “Champions League” e somou 17, 3570 pontos. O ano passado, na Liga Europa, somou 31, 7600, ou seja, quase o dobro.

Como tal, só no final da temporada poderemos perceber se este 0-0 diante do Zenit foi negativo ou uma benesse para os portistas que, caso as coisas corram bem na segunda prova mais importante do futebol europeu, ainda podem agradecer a todos os santinhos as grandes intervenções de Malafeev no Estádio do Dragão.

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Rúben Micael marcou sete golos nessa Liga Europa

Quando se soube que o Nacional teria de ultrapassar o Zenit de São Petersburgo para estar presente na fase de grupos da Liga Europa, poucos acreditavam nas possibilidades dos madeirenses. Vencedores da Taça UEFA em 2008, a equipa russa era considerada uma das favoritas à conquista da Liga Europa, até porque contava com excelentes jogadores como os portugueses Danny e Fernando Meira. No entanto, após uma vitória tangencial na Choupana (4-3) a equipa do Nacional haveria de escrever uma página muito bonita da sua história em São Petersburgo, graças a um golo de Rúben Micael que, a um minuto do final, garantiu o empate (1-1) e consequente apuramento para a fase de grupos da segunda competição mais importante do futebol europeu.

O milagre de São Petersburgo

Quando foi sorteado o nome do Zenit como adversário do Nacional, rapidamente os profetas da desgraça traçaram o destino dos madeirenses, afirmando que seria impossível à equipa portuguesa superar o rico clube russo.

Porém, o início do milagre começou a ser desenhado quando o Nacional superou o Zenit, em casa (4-3), com golos de Luís Alberto, João Aurélio, Rodrigo Silva e Rúben Micael. Na verdade, esse resultado até podia ter sido melhor, pois a equipa de São Petersburgo fez o 4-3 no último suspiro da partida.

Ainda assim, a equipa madeirense viajou para a Rússia com uma tarefa muito complicada, pois para passar teria, no mínimo, de empatar ou perder por um golo desde que marcasse pelo menos quatro. Essa missão complicou-se ainda mais quando ao minuto 34, o turco Fatih Tekke colocou os russos em vantagem no jogo e na eliminatória.

A partir desse momento, poucos acreditavam que o Nacional conseguisse o apuramento e, com o passar dos minutos, a esperança foi-se tornando cada vez mais ténue. O tempo passava e o jogo parecia totalmente controlado pelo Zenit até que, ao minuto 89, Salino cruzou para a área e Rúben Micael, de cabeça, antecipou-se ao guarda-redes russo e fez o 1-1. Pouco depois, terminou a partida e o milagre madeirense havia-se consumado com o Nacional a apurar-se para a fase de grupos da Liga Europa.

Alguma ingenuidade impediu que o Nacional superasse a fase de grupos

Sorteado num grupo com o Werder Bremen, Athletic Bilbau e Áustria Viena, o Nacional teve um comportamento meritório, mas que poderia ter sido bem melhor caso a equipa não tivesse sofrido tantos golos nas partes finais das partidas.

Na primeira partida, em casa com os alemães do Werder Bremen, o Nacional estava empatado 2-2, quando, a cinco minutos do fim, Pizarro bisou e deu o triunfo (3-2) à equipa germânica.

No segundo jogo, em Viena, diante do Áustria, os madeirenses não seguraram a vantagem que conseguiram graças a um golo de Rúben Micael (42′), sofrendo o empate a catorze minutos do fim por Schumacher.

Depois, nos decisivos jogos com o Athletic Bilbau, a sorte provou que se esgotou no histórico jogo de São Petersburgo, pois o Nacional, após ter estado a vencer por 1-0, tanto em Bilbau como na Choupana, acabou vergado a uma derrota no País Basco (1-2) e a um empate caseiro (1-1).

Com apenas dois pontos conquistados em quatro partidas, os últimos dois jogos apenas testaram a dignidade dos madeirenses que, após perderem (1-4) em Bremen, despediram-se com distinção, graças a uma goleada ao Áustria Viena (5-1).

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O Arsenal é, claramente, um dos clubes mais importantes do actual contexto do futebol europeu, sendo uma das mais tituladas de Inglaterra, havendo vencido inúmeros títulos domésticos e internacionais e contando, historicamente, com alguns dos melhores jogadores do mundo como Ian Wright, Bergkamp ou Henry. Ainda assim, a equipa tem sofrido, nos últimos tempos, da ausência de títulos domésticos, não vencendo a Premier League desde 2004 e a Taça de Inglaterra desde o ano seguinte. Em termos europeus, até estiveram na final da Taça dos Campeões de 2006, todavia, o Barça foi mais forte no jogo decisivo e venceu por duas bolas a uma, negando a possibilidade dos “gunners” vencerem a primeira Liga dos Campeões da sua história.

Quem é o Arsenal

A equipa londrina foi fundada em 1886 como Dial Square por trabalhadores da Royal Arsenal em Woolwich, no sudeste de Londres, tendo alterado o nome para Woolwich Arsenal, em 1891, quando se tornou profissional.

Nos primeiros anos, o clube de Londres jogou na segunda divisão, apenas chegando à liga principal em 1904. Nessa fase, a sua situação geográfica resultava em baixas assistências e, assim, em 1910, o clube encontrava-se muito perto da falência, quando um empresário local (Henry Norris) pensou em mudar a localização da equipa. Assim sendo, em 1913, quando a equipa baixou à segunda divisão, Henry Norris mudou a equipa para Highbury (norte de Londres) e, no ano seguinte, retirou Woolwich do nome do clube, ficando simplesmente “Arsenal”, tal como é conhecido nos dias de hoje.

Apesar da alteração, tanto em termos de nome como geográfica, o sucesso não foi imediato e foi preciso esperar até à década de 30 para que o Arsenal começasse a conquistar títulos, sendo que, nessa década, a equipa londrina foi a grande dominadora do futebol inglês, conquistando cinco campeonatos e duas Taças de Inglaterra.

Curiosamente, o clube de Londres nunca mais teve uma década como essa, ainda que tenha conquistado inúmeros títulos, contabilizando, neste momento, 13 campeonatos ingleses, 10 Taças de Inglaterra, 2 Taças da Liga, 12 Supertaças, 1 Taça das Taças e 1 Taça das Cidades com Feira, tendo ainda perdido uma final da Taça dos Campeões, duas da Taça das Taças, uma da Taça UEFA e uma da Supertaça Europeia.

Na temporada passada, a equipa terminou a Liga Inglesa na terceira posição, contabilizando o sexto ano consecutivo sem ganhar a Premier League.

Como joga

O grande mérito de Arséne Wenger neste Arsenal moderno foi ter colocado a equipa londrina a jogar um futebol intenso, bonito e, muitas vezes, empolgante. Os “gunners” praticam um futebol entusiasmante e de perfil continental que se afasta claramente do “kick and rush” do típico futebol inglês.

Com inúmeros jogadores tecnicamente evoluídos como Van Persie, Arshavin, Walcott, Fábregas ou Nasri, o futebol espectáculo e de pé para pé é uma constante, sendo que a equipa londrina joga quase sempre num carrossel de constantes trocas de posição que, invariavelmente, baralham os adversários e permitem ao Arsenal criar inúmeras situações de golo. Em termos tácticos, a equipa tem variado entre o 4-4-2 losango e o 4-2-3-1, que tem utilizado ultimamente.

Na verdade, se a equipa não conquista títulos há muito tempo, isso deve-se a alguma falta de experiência dos seus jogadores, ao facto de a defesa não ter o mesmo nível do ataque e, acima de tudo, às constantes lesões graves que têm perseguido muitos dos seus principais jogadores.

Para terem uma ideia, neste momento, o Arsenal encontra-se privado de seis jogadores por lesão (Diaby, Van Persie, Walcott, Vermaelen, Bendtner e Ramsey).

Assim sendo, a equipa que o Arsenal deve fazer subir hoje ao Estádio Emirates não deve andar longe da seguinte:

Arshavin a jogar pelo Zenit

Quem é que os arsenalistas devem ter debaixo de olho – Arshavin

O polivalente jogador russo de 29 anos é, claramente, um dos jogadores mais perigosos deste Arsenal e terá, forçosamente, que merecer uma atenção especial de Domingos Paciência durante o jogo de hoje.

Criado nas escolas do Zenit de São Petersburgo, Arshavin estreou-se em 2000 por esse clube russo, permanecendo lá por oito anos. No Zenit, o internacional russo fez 281 jogos, marcou 71 golos e, colectivamente, conquistou um campeonato russo (2007) e uma Taça UEFA (2008).

Depois de ter feito um excelente Euro 2008, Arshavin acabou cobiçado por vários clubes europeus, sendo que acabou por assinar pelo Arsenal em Janeiro de 2009.  No clube londrino, o internacional russo adaptou-se de forma fácil e rapidamente se tornou num dos mais importantes jogadores da equipa londrina, tanto a jogar sobre as alas (preferencialmente a esquerda) como a segundo avançado, fazendo inúmeras assistências e marcando bastantes golos pelos “gunners”.

Jogador que alia a raça à sua grande velocidade e fantástica capacidade técnica, Arshavin é um jogador a quem não pode ser dado um milímetro de espaço, sendo imperioso que o Braga o saiba parar, pois, caso o consiga, um grande passo rumo a um resultado positivo estará dado.

As hipóteses bracarenses

Não alinhamos em utopias e temos consciência que, mesmo com todas as lesões que tem sofrido, o Arsenal é claramente favorito para os dois duelos europeus que vai disputar com o Braga. Mais experientes e com um plantel com mais qualidade e soluções, os “gunners” deverão, em teoria, superar os bracarenses com maior ou menor dificuldade.

Ainda assim, por tudo o que o Braga tem feito esta temporada, nomeadamente pelas duas vitórias que conseguiu diante do favorito Sevilha, não podemos colocar de parte a hipótese dos bracarenses, principalmente na Pedreira, fazerem um brilharete.

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Mandzukic podia ter sido o "pinheiro" do Sporting

Quando me lembrei de criar a rubrica “Olho Clínico”, pensei que pudesse ter dupla função no panorama desportivo português. Em primeiro lugar, pensei no normal adepto de futebol, que gosta de conhecer mais e melhor e que, certamente, teria todo o interesse em descobrir novos valores das paragens mais distantes do planeta futebol, mas, por outro lado, também acreditei que pudesse ser uma boa plataforma para que os clubes portugueses, muitas vezes presos a clichés de mercado, pudessem alargar horizontes e abandonar, de vez, o mesmo mercado saturado que já não lhes permite trazer “peixe graúdo”.

Desde dia 30 de Dezembro de 2009, apresentei, neste blog, 53 jogadores, sendo que nenhum deles actuava nas principais ligas europeias e, mesmo de campeonatos de média dimensão, como o francês, o grego, o belga ou o escocês, foram muitos poucos os jogadores que referenciei, limitando-me a mostrar talentos de primeiro plano como o Eden Hazard, o Sotiris Ninis, o Lukaku ou o Aiden McGeady.

Nesta rubrica, o meu interesse foi sempre viajar para países sul-americanos, do leste europeu e até países em grande expansão futebolística como o Japão ou, numa escala inferior, Chipre e Israel. Na verdade, fiz isso porque sei que aí os atletas ainda são acessíveis aos clubes portugueses, tendo, inclusivamente, o cuidado de mostrar jogadores para a bolsa dos três grandes, mas sem descurar outros que pudessem estar ao alcance de clubes médios do nosso futebol.

Infelizmente, verifiquei que dos 53 jogadores que apresentei, apenas um se transferiu para Portugal, curiosamente um dos mais badalados pela imprensa nos últimos tempos, ainda que tenha sido apresentado no “A Outra Visão” bem antes do início do Mundial 2010 (Otamendi). Assim sendo, fui fazer um pequeno estudo à rubrica e verificar quais os jogadores que permaneciam nos clubes desde que o “A Outra Visão” havia falado deles e, dos que se tinham transferido, quais o haviam feito para um clube superior ao clube onde jogavam.

Assim sendo, dos 53 jogadores referenciados, 19 trocaram de clube, sendo que destes, dezoito se transferiram para um clube e/ou campeonato superior. A única excepção foi o arménio: Edgar Manucharyan, que, perseguido por lesões, regressou à Arménia para jogar no Pyunik Erevan.

As dezanove transferências pós “Olho Clínico”

Jackson Martinez (COL): do Independiente Medellín (COL) para o Jaguares (MEX)

Eliran Atar (ISR): do Bnei Yehuda (ISR) para o Maccabi Telavive (ISR)

Emad Moteab (EGI): do Al-Ahly (EGI) para o Standard Liège (BEL)

Emilio Izaguirre (HON): do Motagua (HON) para o Celtic (ESC)

Aiden McGeady (IRL): do Celtic (ESC) para o Spartak Moscovo (RUS)

Mario Mandzukic (CRO): do Dinamo Zagreb (CRO) para o Wolfsburgo (ALE)

Robert Lewandowski (POL): do Lech Poznan (POL) para o Borussia Dortmund (ALE)

Nicolás Otamendi (ARG): do Velez Sarsfield (ARG) para o FC Porto (POR)

Georgios Tzavelas (GRE): do Panionios (GRE) para o E. Frankfurt (ALE)

Atsuto Uchida (JAP): do Kashima Antlers (JAP) para o Schalke 04 (ALE)

Seydou Doumbia (CMA): do Young Boys (SUI) para o CSKA Moscovo (RUS)*

Aleksandr Bukharov (RUS): do Rubin Kazan (RUS) para o Zenit (RUS)

Giovanni Moreno (COL): do Atlético Nacional (COL) para o Racing Club (ARG)

Domagoj Vida (CRO): do Osijek (CRO) para o Bayer Leverkusen (ALE)

Andreas Avraam (CHI): do Apollon Limassol (CHI) para o Omónia Nicósia (CHI)

Jong Tae-Se (COR): do Kashima Antlers (JAP) para o Bochum (ALE)

Artur Sobiech (POL): do Ruch Chorzow (POL) para o Polónia Varsóvia (POL)

Pablo Armero (COL): do Palmeiras (BRA) para a Udinese (ITA)

Edgar Manucharyan (ARM): do Ajax (HOL) para o Pyunik Erevan (ARM)

*Quando fizemos o “Olho Clínico” dedicado ao Seydou Doumbia, este já tinha acordado uma transferência futura para o CSKA Moscovo.

Estas transferências mostram que, mais do que mostrar bons valores aos adeptos do futebol e fazer com que estes possam alargar, cada vez mais, os seus horizontes futebolísticos, o “Olho Clínico” pode funcionar como plataforma de descoberta de valores para os nossos clubes e para que estes possam, igualmente, alargar horizontes e desprenderem-se dos clichés que, muitas vezes, apenas lhes dão prejuízo financeiro e desportivo.

Da minha parte, irei continuar a fazer o meu melhor para vos mostrar as melhores promessas que caminham pelo mundo do futebol, mesmo que tenha de vasculhar pelos cantos mais recônditos do planeta, esperando que, um dia, a maior parte desses talentos apareça, aqui, no nosso campeonato, ao invés de tantos estrangeiros sem qualidade que, época após época, inundam as nossas ligas profissionais.

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Paulo César festeja golo no Celtic Park

Apesar de o Sporting de Braga ter vencido por 3-0 na primeira mão da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, ainda havia um ténue receio dos arsenalistas passarem dificuldades no sempre difícil ambiente do Celtic Park. No entanto, as dúvidas sobre o apuramento dos bracarenses apenas duraram até aos vinte minutos de jogo. Nesse momento, Paulo César fez o golo dos bracarenses e colocou a missão dos escoceses a um nível quase impossível: marcar cinco golos! Os escoceses apelaram ao brio e ainda venceram o jogo (2-1), no entanto, foi uma vitória magra e que os deixou fora da Liga dos Campeões. Já o Braga, apesar da derrota, segue para o playoff de acesso à fase de grupos da “Champions”, onde vai defrontar Sevilha, Tottenham, Zenit, Ajax ou Werder Bremen.

O Sp. Braga entrou ambicioso e confiante no Celtic Park, não se amedrontando perante o ambiente e tentando o golo que, na verdade, acabaria definitivamente com a eliminatória.

Normalmente, nesses casos, a sorte protege os audazes e essa ambição arsenalista foi premiada aos 20 minutos, quando Paulo César, na sequência de um cruzamento de Alan, fez, de cabeça, o 1-0 para os bracarenses.

Até ao final da primeira metade, o Celtic procurou o ataque e o primeiro dos cinco golos necessários para dar a volta à eliminatória. No entanto, nessa fase, a crença escocesa era baixa e o Braga foi conseguindo anular todos os intentos ofensivos dos verde e brancos sem grandes dificuldades.

Após o intervalo, os “católicos” vieram com outra atitude, passando a pressionar mais a equipa portuguesa e a colocarem mais elementos no último reduto do Sp. Braga.

Assim sendo, foi sem surpresa que, aos 52 minutos, Hooper, na pequena área, desviou um cruzamento de Fortuné e empatou a partida.

Apesar do golo sofrido, os bracarenses não perderam a calma, até porque sabiam que o Celtic ainda tinha de marcar mais quatro tentos. Como tal, o Sp. Braga foi tentando jogar com o relógio e controlando a equipa de Glasgow, que, no seu intimo, sabia estar perante uma missão (quase) impossível.

Até ao final da partida, os escoceses ainda fizeram mais um golo, num cabeceamento de Juarez (79′), mas a magra e insuficiente vitória (2-1) foi tudo o que o Celtic conseguiu fazer perante a muito bem organizada equipa arsenalista.

Apesar da derrota, Domingos tem razões para estar satisfeito com a atitude patenteada pelos seus atletas e, obviamente, pela passagem da eliminatória. Agora, que venha o “tubarão”…

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Bruno Alves vai deixar saudades no FC Porto

Antes da verdadeira razão deste artigo, gostava de dar crédito a Pinto da Costa por mais um excelente negócio. A venda do central Bruno Alves por 22 milhões de euros é uma excelente manobra de gestão desportiva e que ganha maior impacto quando verificamos que o central portista caminha para os 29 anos e que, Miguel Veloso, uma promessa de apenas 24 anos, foi vendido pelo Sporting por menos de 10 milhões de euros. No entanto, se para o FC Porto este foi um grande negócio, custa-me a entender que o seja para o Bruno Alves. O central portista é um jogador maduro e, na verdade, estava na última oportunidade para dar o salto, mas será que ir para o Zenit pode ser considerado uma boa gestão pessoal da carreira?

Bruno Alves foi um jogador que soube esperar e que, acima de tudo, nunca deixou de trabalhar para alcançar uma posição de destaque no futebol português e internacional. Apesar de ter chegado à equipa principal do FC Porto em 2001, precisou de três empréstimos sucessivos a equipas como o Farense, V. Guimarães e AEK Atenas e, ainda, de uma época quase sem jogar nos dragões (2005/06) quando com Co Adriaanse ao leme, apenas fez sete jogos.

Contudo, na época seguinte, a chegada de Jesualdo Ferreira foi fundamental para Bruno Alves que passou a fazer dupla com Pepe e a destacar-se no centro da defesa portista. Apesar de muitas vezes apelidado de jogador demasiado duro, o central foi conquistando o respeito de colegas, adeptos e da própria imprensa em geral.

Com o passar dos anos, Bruno Alves foi refreando as suas emoções, tornando-se um defesa menos duro, sem, ainda assim, perder a sua eficácia. A sua fama foi galgando fronteiras e, após o excelente campeonato do mundo que fez na África do Sul, o interesse de grandes tubarões da Europa no seu concurso foi sendo publicitada.

Percebia-se, claramente, que o FC Porto não o conseguiria segurar e todos esperavam a transferência do internacional português para uma das principais ligas europeias, todavia, quem acabou por assegurar a contratação do defesa-central acabou por ser o Zenit do campeonato russo.

Sem colocar em causa o valor do clube de São Petersburgo que já ganhou uma prova europeia e vem de um campeonato em claro crescimento, penso que é uma mudança arriscada para o atleta português. Lembrem-se que, no passado, vários jogadores portugueses foram para o campeonato russo (Costinha, Maniche, Jorge Ribeiro, Custódio, etc…), sendo que o resultado foi quase sempre o insucesso e a inadaptação com a justa excepção de Danny, curiosamente futuro companheiro de Bruno Alves no Zenit.

Depois, mesmo que a adaptação seja um sucesso, a Liga russa é um campeonato distante e que tem pouca visibilidade para os grandes clubes europeus. Assim sendo, quando sabemos que o Bruno Alves está quase com 29 anos, a possibilidade de, um dia, cumprir o sonho de jogar num grande clube europeu, num Barça, Manchester United, Inter ou Real Madrid passa a ser quase uma utopia.

Acredito que, financeiramente, este contracto possa ser tão bom para o Bruno Alves como foi para o FC Porto, mas pergunto-me se, para a carreira desportiva do ex-jogador dos dragões, esta transferência possa ser tida como uma boa mudança ou se, ao invés, o defesa-central acabará por chorar o facto de, um dia, ter cedido à força dos rublos…

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