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Archive for Agosto, 2015

AstanaAo contrário do que sucedeu na temporada passada e que haveria de vir a revelar-se fatal nas ambições europeias dos encarnados, a verdade é que o Benfica não se pode queixar muito do sorteio referente à fase de grupos da Liga dos Campeões, tendo merecido inclusivamente a presença no agrupamento de um clube que deverá garantir, no mínimo, o apuramento das águias para os dezasseis avos de final da Liga Europa, mais concretamente o emblema cazaque do Astana, claramente o elo mais fraco deste Grupo C.

O bonito e moderno Astana Arena

O bonito e moderno Astana Arena

Quem é o Astana?

O FC Astana é um clube extremamente jovem, ou não tivesse sido fundado em 2009, isto após uma fusão entre dois clubes de Almaty, mais concretamente o FC Alma-Ata e o FC Megasport, sendo que a sua primeira designação foi de FC Lokomotiv Astana, tendo em 2011 deixado cair o termo “Lokomotiv” e ficado apenas como FC Astana.

Desde a sua génese, este clube da capital cazaque tem se esforçado para assumir um papel de destaque no futebol deste país encaixado entre a Europa e a Ásia, começando por contratar alguns jogadores de renome como o ex-internacionais russos: Titov e Tikhonov e crescendo muito rapidamente nas provas locais, onde conquistou a Taça do Cazaquistão em 2010 e 2012, a Supertaça em 2012 e 2015 e a Liga em 2014.

Ora, esse primeiro título nacional obtido no ano passado permitiu ao FC Astana assegurar a primeira participação na Liga dos Campeões em 2015/16, sendo que esta presença tem sido de pleno sucesso, uma vez que a equipa cazaque conseguiu voar até à fase de grupos, isto após eliminar sucessivamente os eslovenos do Maribor (0-1 e 3-1); os finlandeses do HJK Helsínquia (0-0 e 4-3); e os cipriotas do Apoel Nicósia (1-0 e 1-1).

Os jogadores do Astana festejam o apuramento para a fase de grupos da

Os jogadores do Astana festejam o apuramento para a fase de grupos da “Champions”

Como joga o Astana?

Pegando naquilo que foram a generalidade das partidas do FC Astana nesta fase preliminar da “Champions”, podemos dizer que o emblema cazaque privilegia o 4x2x3x1, isto com um ataque desconcertante e com um duplo-pivot onde estão talvez os dois mais fascinantes futebolistas do elenco: o sérvio Maksimovic e o colombiano Roger Cañas.

O Kairat é dono de um ataque muito móvel, composto pelo médio-ofensivo Zhukov, que consegue aliar muito bem o excelente trabalho de construção ofensiva a um bom índice de trabalho defensivo; o extremo-esquerdo Kéthévoama, dono de uma grande velocidade e capacidade de desequilíbrio; e os atacantes: Nursebayev, finalizador que joga preferencialmente na posição “nove” mas também cai na direita, e o ala-direito Dzholchiyev, que faz a movimentação exactamente oposta, num contexto de claro falso-extremo.

O duplo-pivot, ainda assim, e tal como reforcei ao início, é a zona do terreno onde habitam os elementos mais fascinantes do elenco, especialmente o jovem sérvio Maksimovic, futebolista que se sagrou recentemente campeão do Mundo de sub-20 e que sabe aliar a capacidade de equilibrar defensivamente a equipa, com um excelente início de construção ofensiva, mas também o colombiano Cañas, futebolista que também alinha no mesmo diapasão do sérvio, sendo muito inteligente na forma como ocupa os espaços defensivos, mas nunca deixando de avançar de forma confiante no terreno assim que a oportunidade o permite. Aliás, tanto Maksimovic como Cañas marcam golos com regularidade, numa prova viva da importância ofensiva da dupla.

Menos emblemático e cintilante, por outro lado, apresenta-se a defesa do FC Astana, que tem sido composta pelo guarda-redes: Nenad Eric, e o quarteto: Ilic (lateral-direito), Shomko (lateral-esquerdo), e Anicic e Postnikov (defesas-centrais). Ainda assim, há que destacar a grande experiência do internacional esloveno Ilic, futebolista de 32 anos com muitos jogos pela sua selecção e que oferece grande competência e fiabilidade no flanco direito da defesa do FC Astana.

Maksimovic é já uma certeza do futebol sérvio

Maksimovic é já uma certeza do futebol sérvio

Quem é que o Benfica deverá ter debaixo de olho? Nemanja Maksimovic

O internacional sérvio do FC Astana é claramente o elemento mais valioso do FC Astana, isto tanto ao nível do valor de mercado do internacional sub-20 sérvio, assim como da própria importância que este assume no meio-campo do emblema do Cazaquistão.

Trata-se de um futebolista nascido a 26 de Janeiro de 1995 em Banja Koviljača, Sérvia, sendo um produto das escolas do Estrela Vermelha de Belgrado, isto apesar da sua estreia profissional ter sido feita na Eslovénia, com a camisola do Domzale, em 2013.

Aí, até meados de 2015, somou 30 jogos e quatro golos, isto antes de se mudar para o FC Astana, clube que representa desde 7 de Fevereiro, acumulando um total de 24 partidas e seis golos.

Inteligente em termos posicionais e forte fisicamente (189 cm e 81 quilos), o sérvio é muito forte no jogo aéreo, sendo ainda poderoso nos confrontos individuais, onde sabe aplicar o seu corpo em seu benefício. Depois, fruto de uma técnica apreciável e boa capacidade de passe, é competente na forma como inicia o processo ofensivo do FC Astana, alternando essa função com o seu inseparável companheiro Cañas.

CLQuais são as perspectivas do Benfica?

Apesar de ser improvável que o FC Astana entregue de mão beijada os seis pontos ao Benfica, é igualmente inegável que este emblema do Cazaquistão está a anos de luz da qualidade da equipa portuguesa, ou não fosse talvez o mais frágil clube presente nesta edição 2015/16 da Liga dos Campeões.

Nesse seguimento, acredito que o clube da Luz terá todas as condições para somar os seis pontos em disputa com o FC Astana, isto mesmo acreditando que a partida do Cazaquistão, tanto pela viagem como pelo próprio ambiente que os encarnados irão encontrar, poderá apresentar algumas dificuldades ao Benfica.

Certo, de qualquer maneira, é que a chave para um eventual apuramento dos encarnados para os oitavos de final da Liga dos Campeões poderá estar mesmo neste duplo-confronto com o FC Astana, uma vez que se prevê um duelo titânico para a qualificação com os turcos do Galatasaray e, nesse tête-à-tête, a perda de pontos com o clube cazaque pode ser a “morte do artista”.

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Uma imagem recorrente: Diomande a festejar um golo pelo Stabaek

Uma imagem recorrente: Diomande a festejar um golo

O actual segundo melhor marcador do principal campeonato norueguês é Adama Diomande, futebolista de 25 anos que vai evoluindo no Stabaek, vice-líder da prova, muito por culpa dos 15 golos do jovem atacante

Nascido a 14 de Fevereiro de 1990 em Oslo, Noruega, Adama Diomande passou pelas camadas jovens do Valerenga e do Lyn, tendo se estreado no futebol sénior precisamente neste último emblema, pelo qual somou uma partida oficial em 2009.

Posteriormente, passou pelo Skeid, da terceira divisão da Noruega, ainda que tenha sido em 2011, no segundo escalão, e ao serviço do Hødd, que teve a sua verdadeira temporada de explosão, ou não tivesse somado 17 golos em 31 jogos nessa mesma campanha.

Strømsgodset permitiu entrada na elite

Em 2012, todavia, o ponta de lança haveria de assegurar o bilhete para a carruagem da Tippeligaen, nomeadamente através do Strømsgodset, clube pelo qual haveria de somar 16 golos em 50 jogos, isto em dois anos com a camisola do “Godset”.

Perante esse relativo destaque, o internacional norueguês haveria de garantir uma transferência para o Dínamo Minsk, isto numa operação que haveria de se revelar nefasta para Adama Diomande, uma vez que este nunca se adaptou ao futebol bielorusso, tendo terminado a época de 2014 com apenas três golos apontados em 32 jogos.

Ora, perante este estado de coisas, o ponta de lança preferiu voltar ao ponto de partida, regressando então à Noruega, sendo claro que essa terá sido a melhor decisão que poderia ter tomado, uma vez que tem se assumido como um verdadeiro abono de família do seu novo clube, o Stabaek, emblema pelo qual soma 23 golos em 25 jogos oficiais.

Um atacante que permite diversas soluções

Adama Diomande, que é de etnia nigeriana, representa claramente o perfil do ponta de lança africano, uma vez que é rápido, tecnicista e muito móvel, sendo ainda de destacar a sua inteligência a lidar com a linha de fora de jogo e a sua excelente capacidade finalizadora, seja com os pés ou com a cabeça.

Não sendo um colosso (180 cm e 75 quilos), é ainda assim um ponta de lança que sabe usar o corpo nos confrontos com as defesas contrárias, percebendo-se que o muito físico futebol norueguês acabou por uma excelente escola para esse propósito, oferecendo-lhe clara embalagem para se destacar ainda mais em campeonatos não tão exigentes nesses parâmetros.

A evoluir, obviamente, existem ainda alguns aspectos importantíssimos, nomeadamente na sua tomada de decisão, uma vez que Adama Diomande exagera algumas vezes em iniciativas individuais insípidas, mas também na própria consistência das suas exibições (apaga-se inexplicavelmente por vezes).

De qualquer maneira, com um treinador que tenha a paciência necessária, poderá estar aqui um avançado para outros palcos, afigurando-se como um atleta ideal para jogar ao lado de uma referência mais posicional num qualquer esquema com dois pontas de lança.

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Jiménez é uma aposta forte do Benfica para 2015/16

Jiménez é uma aposta forte do Benfica para 2015/16

O mais recente reforço do Benfica para a nova temporada é o internacional mexicano Raúl Jiménez, futebolista que começou a destacar-se no América do seu país natal, mas que chega à Luz oriundo dos espanhóis do Atlético de Madrid, clube que representou na temporada transacta.

Trata-se de um ponta de lança nascido a 5 de Maio de 1991 em Tepeji, México, e que é precisamente um produto das camadas jovens do América, emblema que representou entre 1998 e 2014, sendo que, nos últimos três desses anos, actuou ao nível da equipa sénior.

Aí, o possante atacante (190 cm, 80 kg) assumiu-se como uma excelente referência ofensiva, ou não tivesse somado 38 golos em 103 jogos oficiais, e conquistado inclusivamente uma transferência para o Atlético de Madrid a troco de 11 milhões de euros.

O salto para a capital espanhola, todavia, não correu particularmente bem ao internacional mexicano, que raramente conseguiu encontrar o seu espaço junto do onze do Atlético de Madrid, terminando a época de 2014/15 com apenas seis jogos como titular (mais 21 como suplente utilizado) e somente um golo apontado.

Tem potencial mas sentiu o salto para a Europa

Raúl Jiménez é o típico futebolista que temos de analisar através de duas vertentes, mais concretamente o seu valor actual e o seu valor potencial, sendo que o segundo é muito superior ao primeiro, em virtude do internacional mexicano ainda não parecer minimamente adaptado ao futebol do Velho Continente.

Afinal, o ponta de lança de 23 anos tem, realmente, tudo para ser um ponta de lança de grande qualidade no espectro do futebol mundial, uma vez que é fortíssimo fisicamente, algo que lhe permite ser muito forte nos duelos individuais e no jogo aéreo (é letal na finalização de cabeça), mas consegue aliar isso a uma técnica individual muito apreciável no passe, drible e finalização com o pé esquerdo, assim como a uma assinalável mobilidade.

O problema, contudo, é que Raúl Jiménez sentiu em demasia o salto do mais anárquico futebol mexicano para o mais intenso e evoluído futebol europeu, sendo que o ponta de lança, nos “colchoneros”, via-se muitas vezes facilmente engolido pelas organizações defensivas adversárias e com dificuldades extremas para se libertar dessas amarras.

Essa inadaptação, aliás, até prejudicou-o bastante no capítulo da decisão, sendo que era recorrente ver o ponta de lança a definir mal as jogadas, desperdiçando boas ocasiões para oferecer soluções interessantes para a sua equipa.

Certo, de qualquer maneira, é que o campeonato português é bem menos exigente que o espanhol, podendo então este passo atrás na carreira afigurar-se como a melhor decisão para um ponta de lança que, assim que se adaptar aos princípios do futebol europeu, tem tudo para ser um goleador de elite.

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Capel estará prestes a despedir-se de Alvalade

Capel estará prestes a despedir-se de Alvalade

Multiplicam-se os rumores de que o internacional espanhol Diego Capel estará muito próximo de trocar o Sporting pelo Génova, supostamente numa transferência que não irá trazer aos verde-e-brancos qualquer mais-valia financeira, isto para além da óbvia poupança nos salários que teriam de ser pagos neste último ano de contrato.

Esta conclusão, mesmo tratando-se de um jogador que terminaria contrato em menos de um ano, e havendo a noção de que este pouco jogou na temporada transacta, não deixa, contudo, de surpreender um pouco, quanto mais não seja pelo facto deste ainda ser relativamente novo (27 anos) e de ter um interessante currículo, ao ponto de ter chegado inclusivamente a ser internacional espanhol.

Claro que os recentes investimentos em salários avultados de jogadores como Bryan Ruiz, Teo Gutiérrez ou Alberto Aquilani terão precipitado a necessidade do Sporting libertar Diego Capel, ou não fosse o extremo um dos mais bem pagos do plantel e excedentário, mas não posso deixar de pensar que todo a “partida de poker” que foi a gestão da situação do internacional espanhol acabou por prejudicar e muito o emblema leonino, que nunca viu grandes proveitos desportivos do extremo nas últimas duas temporadas e ainda acabou por ter prejuízos financeiros onde até poderia ter somado alguns milhões de euros.

Lembre-se que, no Verão de 2013, o primeiro defeso da “Era Bruno de Carvalho”, a comunicação social deu conta da chegada de algumas propostas a Alvalade pelo concurso do internacional espanhol, ainda que tenha reafirmado constantemente a vontade da SAD do Sporting em apenas libertar o atleta por valores a rondar os 6/7 milhões de euros, isto quando as ofertas rondariam os 3/4 milhões de euros, algo que ainda assim permitiria ao Sporting somar, a esse encaixe, mais quatro milhões de euros dos salários referentes a estas duas últimas temporadas em que Diego Capel se foi mantendo em Alvalade.

Nessa altura, ainda assim, e mesmo que já se mostrasse exibicionalmente a um nível bem longe do que o seu vencimento justificava, a verdade é que Diego Capel ainda foi bastante utilizado por Leonardo Jardim, terminando essa época de 2013/14 com 31 jogos (20 como titular) realizados.

Essa situação terá mantido pelo menos o valor de mercado de Diego Capel, sendo que o Verão seguinte, principalmente perante a chegada de Nani, desenhava-se como o momento ideal para a saída do internacional espanhol, abrindo-se assim espaço a uma importante poupança salarial e um sempre interessante encaixe financeiro que poderia certamente chegar aos quatro milhões de euros.

A verdade é que a direcção liderada por Bruno de Carvalho voltou a esticar a corda em demasia, isto num perfil que também já se notou este defeso nos processos de contratação de Ruiz e Gutiérrez (correndo bem) e de Mitroglou (correndo mal), acabando Diego Capel por ficar mais um ano em Alvalade, sendo que este último completamente sem espaço, ultrapassado naturalmente por Nani e André Carrillo e, até, Carlos Mané.

Ora, no futebol, os timings são tudo e, agora, apenas um ano depois, no rescaldo de uma temporada em que Diego Capel somou apenas cinco jogos como titular nos leões e terá custado mais dois milhões de euros aos cofres da SAD, a direcção leonina vê-se “obrigada” a transaccionar o seu passe a custo zero, limitando-se a ter a mais-valia de uma poupança de alguns meses de salários e de uma hipotética mais-valia de uma transferência futura.

Espera-se, assim, que isto sirva de exemplo para Bruno de Carvalho e respectiva direcção, que terá de perceber que a intransigência negocial nem sempre é a melhor solução para a gestão financeira e desportiva de um clube de futebol, sendo que o processo André Carrillo deverá assumir-se, agora, como um teste primordial para a capacidade do jovem presidente leonino em aprender com os próprios erros.

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JJ foi uma sombra que perturbou Rui Vitória

JJ foi uma sombra que perturbou Rui Vitória

Terminou a Supertaça com o triunfo da equipa que, ao longo da pré-temporada, pareceu claramente mais preparada para o início desta época desportiva, numa conclusão que, aliás, parecia prevista pela grande maioria da comunicação social, que de forma mais ou menos declarada colocou o Sporting como o grande favorito ao triunfo no primeiro jogo oficial da nova campanha.

Aliás, essa pressão imposta sobre os verde-e-brancos poderia até ter sido um grande trunfo para Rui Vitória, isto por forma a minimizar o facto de, nesta fase, o ex-treinador do Vitória de Guimarães ter de conviver com um plantel desequilibrado e, também, com as consequências de um demasiado longo périplo pela América do Norte. A realidade, contudo, foi que o novo timoneiro encarnado acabou por complicar ainda mais as possibilidades do Benfica vencer este troféu menor, mas que ganhou grande importância graças à alavanca Jorge Jesus.

Conhecedor de como funciona o clube onde foi treinador principal por seis temporadas, Jorge Jesus, como forma de aliviar a pressão sobre o Sporting e os seus jogadores, mas também de condicionar a própria actuação de Rui Vitória, veio a público dizer que o Benfica continuava a jogar à sua imagem.

A verdade é que essa estratégia de Jorge Jesus, e sabemos bem que tudo isto foi muito bem pensado pelo novo técnico do Sporting, acabou por correr às mil maravilhas: Em primeiro lugar, porque cedo se percebeu que os jogadores verde-e-brancos pareciam verdadeiramente libertos de uma pressão excessiva, algo que, a suceder até seria natural tendo em conta que os leões apenas haviam vencido o Benfica por uma ocasião nas últimas seis temporadas; depois, porque o próprio Benfica surgiu no relvado condicionado por essas próprias declarações de Jorge Jesus, tudo bem patente nas próprias escolhas de Rui Vitória.

Afinal, num esforço quase titânico para se desprender da colagem às ideias do novo treinador do Sporting, Rui Vitória acabou por proceder a inúmeras alterações no onze do Benfica, isto tanto ao nível dos jogadores que escolheu, assim como do próprio esquema táctico, chegando inclusivamente a optar por deixar Jonas sozinho na frente, sistema que não favorece minimamente o internacional brasileiro, talvez apenas para fugir à ideia de que poderia estar a replicar o 4x4x2 do antecessor.

Ora, essas decisões, aliadas a algumas lesões importantes (se bem que muito se tem esquecido que o Sporting também não tem Ewerton e William Carvalho pelo mesmo motivo) e à má preparação da pré-temporada, acabaram por precipitar o tal desaire que a maioria da comunicação social já vaticinava, sendo que o Benfica foi quase sempre uma equipa parca de ideias no Algarve, somando equívocos e até correndo o risco de “queimar” um jovem muito talentoso como Nélson Semedo, que, e ainda bem, acabou por resistir ao naufrágio.

Aliás, o momento de maior desnorte/naufrágio psicológico de Rui Vitória terá surgido na última vintena de minutos, quando decidiu ir ao banco buscar o recém-chegado Kostas Mitroglou, isto, talvez, numa tentativa de jogar com o psicológico do Sporting, que, como se sabe, também perseguia o internacional grego, mas que acabou por apenas tornar o ponta de lança vítima de mais um equívoco do novo treinador do Benfica e, também, mexer naturalmente com a confiança do outro “nove”, o uruguaio Jonathan Rodríguez, que faz toda a pré-época e, quando as coisas são a doer, é ultrapassado por um colega com um par de treinos.

É que esta Supertaça, quer queiram quer não, não se define apenas no troféu que foi para as vitrinas de Alvalade e não da Luz, mas por todos os efeitos psicológicos que giraram à volta do evento e que acabaram por fortalecer ainda mais a imagem de Jorge Jesus (em detrimento de Rui Vitória) e deixar a confiança dos jogadores do Sporting nos píncaros, enquanto os atletas do arqui-rival navegam num mar de dúvidas e nem sequer sabem se podem confiar num almirante, que parece, também ele, sem qualquer rumo definido.

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Aquilani é internacional italiano por 38 ocasiões

Aquilani é internacional italiano por 38 ocasiões

Frustrada a contratação de Kevin-Prince Boateng, a verdade é que o Sporting não perdeu tempo a recrutar outro jogador para o centro do meio-campo, surgindo a solução verde-e-branca em Itália, mais concretamente no ilustre Alberto Aquilani, futebolista que já vestiu a camisola de clubes como a AS Roma, o Liverpool, a Juventus, o AC Milan e a Fiorentina. isto sem esquecer obviamente a Squadra Azzurra.

Trata-se de um médio-centro nascido a 7 de Julho de 1984 em Roma, Itália, e que é um produto das escolas da AS Roma, clube onde fez a sua estreia no futebol sénior em 2002/03, iniciando um percurso que duraria até 2008/09, isto com um empréstimo ao modesto Triestina (2003/04) pelo meio.

Nesse período, o criativo italiano somou um total de 149 jogos e 15 golos pelo histórico da “Cidade Eterna”, merecendo inclusivamente uma milionária transferência para os ingleses do Liverpool, que pagaram cerca de 20 milhões de euros pelo seu concurso.

Sem sucesso na Premier League

A verdade, contudo, é que Alberto Aquilani nunca se impôs verdadeiramente no mais físico futebol inglês, somando apenas 28 jogos (dois golos) pelo Liverpool entre o Verão de 2009 e o de 2010, acabando naturalmente por iniciar um périplo de empréstimos a clubes do seu país natal, onde recuperou rapidamente o seu melhor futebol.

Afinal, tanto na Juventus (34 jogos e dois golos em 2010/11) como no AC Milan (31 jogos e um golo em 2011/12), o internacional italiano conseguiu voltar aos seus melhores dias, isto apesar de ter continuado vinculado ao Liverpool, uma vez que os ingleses foram sempre exigindo muito dinheiro para libertarem o seu passe.

Algo surpreendentemente, haveria de ser a Fiorentina a convencer o Liverpool a libertar Alberto Aquilani, tendo o internacional italiano representado o emblema de Florença nas últimas três temporadas, sendo de destacar essencialmente as primeiras duas, claramente as melhores desde que abandonou a AS Roma, uma vez que o centrocampista somou aí um total de 71 jogos e 14 golos. Já em 2014/15, o italiano perdeu algum fulgor, ainda que tenha terminado a campanha com 34 jogos (um golo).

Experiência, técnica e classe

Quanto ao que pode oferecer Alberto Aquilani a este Sporting, há que rapidamente sublinhar que, estando na plenitude das suas capacidades físicas, o internacional italiano de 31 anos será sempre uma clara mais-valia, oferecendo experiência, uma superior qualidade técnica e de passe, e uma visão de jogo apenas ao alcance dos predestinados.

Tendo representado a Squadra Azzurra em provas como o Euro 2008 e o Mundial 2014, outra prova da sua qualidade, Alberto Aquilani é preferencialmente um “oito” com boa chegada à área adversária, isto mesmo que nunca tenha sido jogador de correrias desenfreadas, apoiando-se quase sempre na sua inteligência na ocupação de espaços, na sua visão de jogo e na sua criatividade.

Sendo polivalente, o ex-jogador da Fiorentina também poderá actuar como “dez”, ainda que essa posição não pareça ser opção táctica para Jorge Jesus, e inclusivamente como “seis”, ainda que, neste caso, naturalmente num espectro mais “pirlesco”, algo que, a suceder, obrigará o treinador do Sporting a jogar muitas vezes com Adrien Silva quase a seu lado, uma vez que em jogos de alta exigência seria perigoso usar dois jogadores pouco intensos no trabalho defensivo como, por exemplo, Aquilani e João Mário.

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CSKASPode dizer-se que, no que diz respeito ao sorteio do playoff da Liga dos Campeões, o Sporting poderia ter melhor fortuna (Rapid Viena ou Club Brugge), mas também poderia ter apanhado adversários mais espinhosos (Mónaco ou Lazio), acabando por surgir em sorte um meio-termo, mais concretamente o CSKA Moscovo, vice-campeão russo que, lembre-se, até já cometeu a proeza de ganhar uma Taça UEFA aos leões em pleno Alvalade XXI. Ora, apresentando muitos predicados mas também algumas lacunas, este emblema orientado por Leonid Slutsky será sempre um osso duro de roer, ainda que ao alcance da esperada melhor face do Sporting de Jorge Jesus.

O CSKA joga no Arena Khimki

O CSKA joga no Arena Khimki

Quem é o CSKA Moscovo?

O CSKA Moscovo foi fundado em 1911, isto quando a sociedade do desporto amador do exército russo decidiu criar uma secção de futebol, sendo que o novo emblema haveria de assumir-se como uma das boas formações do campeonato da União Soviética, tendo somado, entre o primeiro campeonato da URSS (1936) e o último (1991), sete títulos, e sendo ainda de destacar a conquista de cinco Taças da URSS.

A partir de 1992, com a dissolução da União Soviética, o CSKA Moscovo passou a participar naturalmente no campeonato russo, prova que já conquistou por cinco vezes, tendo o último título surgido na temporada de 2013/14. Para além disso, há ainda que destacar a conquista de sete Taças da Rússia; cinco Supertaças da Rússia; e obviamente a Taça UEFA conquistada em Alvalade, diante do Sporting (3-1), em 2004/05.

Ainda assim, na temporada transacta, a equipa de Leonid Slutsky acabou por ganhar apenas a Supertaça da Rússia, tendo terminado a Liga Russa na segunda posição, e sendo eliminada da Liga dos Campeões na fase de grupos e da Taça da Rússia nas meias-finais.

Eremenko é muito talentoso

Eremenko é muito talentoso

Um ataque de impor respeito

O CSKA Moscovo costuma apresentar um onze num sistema de 4x3x3, mais concretamente na variante de 4x2x3x1, isto com: Akinfeev; Mário Fernandes, A. Berezutski, V. Berezutski e Nababkin; Wernbloom e Natcho; Tosic, Eremenko e Dzagoev; Musa.

Quanto ao principal perigo deste conjunto da capital russa, esse surge essencialmente no ataque, uma vez que o trio de médios-ofensivos (Tosic, Eremenko e Dzagoev) é muito móvel e criativo, havendo que estar especialmente atento à visão de jogo e qualidade de passe do internacional finlandês Eremenko, que actua pelo centro, e às diagonais de os falsos-alas Dzagoev e Tosic, que procuram constantemente o eixo para desequilibrarem e abrirem espaço aos muito ofensivos laterais: Mário Fernandes (direita) e Nababkin (esquerda).

Sozinho na frente, por outro lado, costuma actuar o perigosíssimo ponta de lança nigeriano Ahmed Musa, um futebolista baixinho que apresenta como principais valências a sua velocidade, explosividade e capacidade de finalização, sendo pródigo em ganhar as costas às defesas contrárias.

Os irmãos Berezutski estão na fase descendente da carreira

Os irmãos Berezutski estão na fase descendente

Uma defesa permeável

Mas se muitos são os elogios a apontar ao ataque do CSKA Moscovo, imensas são igualmente as críticas que podem ser rotuladas ao seu sector recuado, devendo estar inclusivamente aqui o segredo para que o Sporting supere este playoff de acesso à Liga dos Campeões.

Apresentando normalmente um duplo-pivot à frente da defesa, composto pelo internacional sueco Wernbloom (mais fixo e defensivo) e pelo internacional israelita Natcho (mais móvel e ofensivo), a verdade é que falta dinâmica ao mesmo para se assumir como uma verdadeira garantia de segurança para o CSKA Moscovo, isto sem esquecer o contributo que Natcho se preocupa em dar no início do processo ofensivo dos russos e o esforço que Wernbloom tem para tentar minimizar os problemas sentidos pelos muitas vezes abandonados à sua sorte irmãos Berezutski.

É que a juntar ao facto deste duplo-pivot não ser propriamente pródigo a defender, nomeadamente no já referido capítulo da dinâmica de jogo, mas também do controlo de profundidade, há ainda que sublinhar as subidas desenfreadas dos dois laterais, muitas vezes em simultâneo, algo que deixa demasiado vulnerável a dupla de centrais, composta pelos irmãos Berezutski, assim como o trinco Wernbloom, ainda para mais quando este trio está muito longe de apresentar uma boa qualidade técnica e é lento e duro de rins.

Musa é uma seta venenosa

Musa é uma seta venenosa

Quem é que o Sporting deve ter debaixo de olho? Ahmed Musa

Qualidade não falta no meio-campo e ataque do CSKA Moscovo, ainda que uma menção especial deve ser feita ao nigeriano Ahmed Musa, futebolista nascido a 14 de Outubro de 1992 em Jos, Nigéria, e que já actua no clube russo desde Janeiro de 2012, sendo proveniente dos holandeses do VVV Venlo, clube pelo qual somou 42 jogos e 10 golos em temporada e meia.

Em cerca de três temporadas e meia ao serviço do CSKA Moscovo, o internacional nigeriano soma 39 tentos em 130 jogos oficiais, mas não nos podemos centrar apenas no seu registo goleador, que nem sequer é brilhante, mas por tudo o resto que Musa oferece à equipa, nomeadamente os buracos que causa nas defesas contrárias em função da sua velocidade e capacidade técnica.

É que essas suas características, aliadas à elevada criatividade do trio Tosic-Eremenko-Dzagoev, e sem esquecer a brilhante visão de jogo e qualidade de passe de Natcho, tornam-se merecedoras da total atenção de Jorge Jesus e restante equipa equipa técnica leonina, que terá de trabalhar muito bem a equipa verde-e-branca para responder da melhor forma às complicações que certamente irão surgir.

CSKAAs possibilidades do Sporting

Se o Sporting estivesse com o campeonato português relativamente adiantado, tal como acontece com o russo, era até legítimo colocar a equipa portuguesa com um ligeiro favoritismo em relação ao CSKA Moscovo, mas o facto do emblema que eliminou o Sparta Praga (2-2 e 3-2) atingir este playoff já com alguns jogos nas pernas permitir-lhe-á pelo menos colocar as suas chances em 50%.

Por outro lado, e ao contrário do que muitos defendem, até acredito que o Sporting poderá beneficiar de ter a primeira mão em Alvalade, nomeadamente se conseguir vencer esse encontro, uma vez que o CSKA Moscovo é muito permeável a contra-ataques, podendo então os verde-e-brancos, se se deslocarem à Rússia com vantagem na eliminatória, aproveitarem essas lacunas para “matarem” rapidamente e definitivamente o CSKA.

Ainda assim, e antes de mais, é preciso começar por ganhar em Lisboa, o que não será nada fácil…

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