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Bruno de Carvalho e Jorge Jesus estão unidos

Em primeiro lugar parabéns ao Benfica por ter ganho o campeonato nacional pela terceira vez consecutiva.

Em segundo lugar, o Sporting. E é do Sporting que vou falar, porque é preciso fazer-se um balanço do que foi feito esta temporada e, também, de um percurso de pouco mais de três anos com uma nova direcção e um novo paradigma.

Apoiando-me primeiro no aspecto puramente desportivo, há que sublinhar que esta foi uma grande época do Sporting.

O Sporting jogou 6 vezes com os seus principais rivais e ganhou 5 jogos. Na Europa, mesmo a meio gás, ganhou na Rússia (onde nunca tinha ganho), eliminou o Besiktas (que é campeão turco) e só não chegou à Liga dos Campeões pelas razões que sabemos.

Falhou, acima de tudo, nos jogos com equipas menores, onde faltou um pouco mais de qualidade (e eficácia) em zonas de decisão. Afinal, terá faltado um desbloqueador como Carrillo e um Teo dos últimos jogos em full-time. E, sendo assim, nem teriam sido preciso reforços.

Perceba-se que foram 86 pontos no campeonato, mais nove do que o campeão Inácio, mais 11 do que o campeão Bölöni e mais 21 pontos do que quando Trapattoni foi campeão no Benfica na atípica época de 2004/05.

E pegando nessa mesma época, há que lembrar todos os sportinguistas que tantos anos lamentaram o despedimento do medíocre José Peseiro, um treinador que terminou a sua única época completa no Sporting com 61 pontos. Menos 25 (!!!) do que Jorge Jesus.

JJ, aliás, soube dar seguimento e fazer um claro upgrade aos seus antecessores (Jardim e Marco Silva), que já haviam recolocado o Sporting como uma equipa que “contava” no topo do campeonato português, mas que ainda apresentavam, um e outro, certas lacunas que os impediam de chegar ainda mais além, ao final das decisões.

Quem bem me conhece sabe que eu divido um treinador em duas vertentes: a de treinador de campo e a do treinador de gabinete, e eu não tenho quaisquer dúvidas que Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do Mundo nesse primeiro desiderato, isto apesar de infelizmente estar longe do mesmo nível no seguinte.

O salto que foi dado esta temporada com Jorge Jesus foi gigantesco. Com Jardim havia solidez, com Marco Silva havia qualidade de jogo, mas com Jorge Jesus existiu, finalmente, a ter a conjugação das duas coisas.

Depois, é pensar em todos os jogadores que Jorge Jesus moldou e catapultou para um patamar incomparavelmente superior. E se João Mário será o exemplo mais mediatizado, a verdade é que não é o mais gritante. Slimani e Adrien Silva, por exemplo, passaram do 8 para o 80 e o próprio Schelotto teve um crescimento gigantesco em apenas poucos meses.

Ora, só a valorização gigantesca de um destes activos paga facilmente o contrato de Jorge Jesus. E é por isso que JJ não é caro para o Sporting, que inteligentemente renovou o seu contrato por mais uma época, como também não o foi em seis anos no rival.

Infelizmente, e tal como ressalvei anteriormente, Jorge Jesus perde-se um pouco quando o tema não é do domínio do jogo propriamente dito. E aqui ele falhou redondamente, deixando que o seu enorme ego acabasse por funcionar como motivação para que o principal rival do Sporting tenha conseguido sair do buraco onde o próprio Sporting o tinha colocado nos primeiros meses da temporada.

Neste aspecto, todavia, terá existido também culpa da direcção do Sporting, que não soube (ou não conseguiu) controlar o seu treinador, acabando por embalar numa onda que, é certo, mobilizou os sportinguistas, mas também uniu decisivamente um quase colapsado balneário encarnado.

Mas isso será a única coisa que se pode apontar à direcção do Sporting: faltou a prudência e a serenidade para gerir de outra forma as euforias e depressões de uma longa época.

Afinal, se perdeu Carrillo (e quem percebe minimamente de futebol rapidamente concluiu que seria quase impossível contornar os obstáculos que foram sendo colocados nesse processo de renovação), a verdade é que o Sporting conseguiu renovar com (TODAS) as outras mais-valias do plantel, sendo que (TODOS) os principais activos do clube estão devidamente blindados com elevadíssimas cláusulas e contratos de longa duração.

Aliás, essa perda do activo Carrillo (de que o Sporting apenas detinha 50% do passe), aliada à perda do caso Doyen serão facilmente contornadas pela venda de Slimani, futebolista que terá triplicado o seu valor de mercado neste último ano.

É que enquanto muitos se revezam nas críticas ao único R&C trimestral desta direcção que deu prejuízo, esquecem-se do somatório do valor de mercado do plantel do Sporting em 2013 em contraponto com 2016. Aí percebemos como 10 milhões de euros negativos são irrisórios, pois os ganhos com esse investimento, tanto ao nível do valor dos direitos económicos dos jogadores, como do crescimento do entusiasmo e, consequentemente, do investimento dos adeptos do Sporting torna-se incomparavelmente superior.

Esse entusiasmo, aliás, vê-se facilmente no facto do Sporting ter terminado a temporada com assistências médias acima dos 40 mil espectadores, algo ao qual o clube jamais se tinha sequer aproximado desde a construção do Alvalade XXI.

Depois, existe ainda uma construção de um pavilhão a todo o vapor (e quão importante e decisivo será isso para o reforço do eclitismo do Sporting), e um contrato com a NOS, que, tendo em conta o background recente do clube, é absolutamente fantástico.

Por tudo isto acredito que o futuro do Sporting será risonho. Até porque quando se vêem estas grandes massas de adeptos do Sporting, que se movimentam de norte a sul do país, sabemos que estes não vão desaparecer à mínima dificuldade. E se não desapareceram nos anos negros recentes, também não será nesta fase de crescimento que o irão fazer, certamente.

Superliga Fodbold FC Midtjylland - AAB

Spalvis é o goleador do Aab

Parece que vem do futebol lituano o tão ansiado concorrente a Islam Slimani no ataque do Sporting, falando-se cada vez de forma mais incessante na possibilidade dos verde-e-brancos avançarem para a contratação de um gigante lituano, mais concretamente o jovem Lukas Spalvis, futebolista de 21 anos que vai evoluindo no Aalborg do campeonato dinamarquês.

Trata-se de um futebolista nascido a 27 de Julho de 1994 em Vilnius, Lituânia, e que começou a sua carreira nas camadas jovens de dois emblemas alemães, nomeadamente o SV Weil 1910 e o SC Freiburg, clubes que antecederam a sua transição para o Aalborg.

Aliás, foi precisamente no emblema dinamarquês que Lukas Spalvis se estreou no futebol sénior, mais concretamente em 2013/14, temporada onde mostrou logo ao que vinha, somando um total de 11 golos em 24 jogos oficiais, isto apesar de, nessa altura, contar com apenas 19 anos.

Ascensão travada por grave lesão

A temporada de 2014/15 estaria assim destinada a ser a da explosão do internacional lituano, contudo, Lukas Spalvis acabou por ser traído por uma gravíssima lesão, mais concretamente uma rotura dos ligamentos do joelho, algo que fez com que apenas somasse oito jogos oficiais nessa campanha.

A verdade, contudo, é que essa lesão apenas terá atrasado a ascensão do ponta de lança, uma vez que o jovem de 21 anos regressou em força já na actual campanha de 2015/16, onde se tem assumido como o principal homem-golo do Aalborg.

Afinal, como a principal referência ofensiva dos dinamarqueses, Lukas Spalvis já acumula 15 golos em 18 jogos oficiais da actual temporada, números que, aliados à qualidade inata do ponta de lança e à sua margem de progressão, terão convencido o Sporting a fazer tudo pela sua contratação.

Alto, mas nada tosco

Quando olhamos para a dimensão de Lukas Spalvis, com os seus 189 cm e 80 quilos, pensamos imediatamente na possibilidade de se tratar de um ponta de lança com grande presença na área, forte de cabeça, mas invariavelmente tosco com os pés, contudo, isso não poderia estar mais longe da realidade.

Afinal, o internacional lituano, apesar de ser efectivamente uma verdadeira referência ofensiva e de ser também bastante forte no jogo aéreo, consegue apresentar excelentes recursos técnicos com os pés, sendo especialmente forte com o pé esquerdo, que é verdadeiramente dotado, e também bastante competente com o direito, que não servirá apenas para “subir ao autocarro”.

Não sendo rápido, trata-se de um jogador que actua de forma muito inteligente sobre a linha do fora de jogo, finalizando depois de forma letal, nomeadamente de cabeça e com a sua talentosa canhota. Para além disso, sabe procurar constantemente o espaço e combinar de forma muito inteligente com os colegas, estando longe de se limitar à função de “target man”.

Em suma, e sabendo-se que se trata de um futebolista de 21 anos, não tenho quaisquer dúvidas que Lukas Spalvis seria um excelente reforço para o Sporting, até porque, em primeira instância, daria aos leões uma verdadeira alternativa a Islam Slimani e, depois, abriria inclusivamente espaço para a sucessão do internacional argelino, até porque o lituano tem todas as condições para vir a ser muito superior a “Super-Slim”.

Fortounis é uma promessa helénica

Fortounis é uma promessa helénica

Um dos jogadores que se está a destacar na actual edição do campeonato grego, confirmando dessa forma o excelente desempenho que já havia tido na temporada transacta, é o médio-ofensivo Konstantinos Fortounis, um dos imprescindíveis de Marco Silva no seu novo projecto no Olympiakos.

Trata-se de um futebolista nascido a 16 de Outubro de 1992 em Trikala, Grécia, e que é precisamente um produto das camadas jovens do histórico emblema do Pireu, ainda que o início do seu percurso no futebol sénior tenha passado por outras paragens helénicas, nomeadamente pelo Trikala (2008 a 2010) e Asteras Tripolis (2010 a 2011).

Experiência germânica

As excelentes exibições no Asteras Tripolis, onde somou 25 jogos (um golo) na temporada 2010/11, valeram-lhe o rótulo de uma das grandes promessas do futebol europeu e, também, o passaporte para a Bundesliga, tendo o jovem grego assinado contrato com o Kaiserslautern, isto apesar do interesse de outros colossos como a Juventus.

Na Alemanha, todavia, o sonho da Bundesliga durou apenas a temporada de 2011/12, uma vez que o Kaiserslautern haveria de descer de divisão no final dessa campanha, tendo então Fortounis actuado na 2. Bundesliga nas duas épocas seguintes, somando, entre 2011 e 2014, um total de 77 jogos (três golos).

Recuperado pelo Olympiakos

Quem o iria resgatar à segunda divisão germânica foi o Olympiakos, clube da sua génese futebolística, e que voltou a apostar no agora internacional grego, oferecendo-lhe inclusivamente um lugar de destaque no onze do emblema do Pireu.

Desde o Verão de 2014, Kostas Fortounis tem assumido-se como uma das principais figuras do Olympiakos, tendo somado 36 jogos (10 golos), na época passada, sob o comando de Vítor Pereira, e acumulando oito jogos (seis golos) na actual campanha, já com Marco Silva como timoneiro.

Médio-ofensivo com golo

Konstantinos “Kostas” Fortounis é preferecialmente um médio-ofensivo central, vulgo “dez”, ainda que também possa actuar como avançado de suporte ou inclusivamente como falso-extremo. Inegável, contudo, é que é em zonas centrais que mais rende.

Afinal, o internacional grego destaca-se pela evoluída visão de jogo, excelente qualidade técnica e de passe, inteligência nas movimentações, sendo também muito inteligente e acima de tudo eficaz na forma como sabe aparecer em zonas de remate, algo onde cresceu muito no último ano e meio.

O seu impacto neste Olympiakos, aliás, vê-se facilmente nos números do jovem de 22 anos, uma vez que este, para além dos seis golos, também já assina seis assistências neste início de temporada.

FC_Lokomotiv_Moscow_logo.svgDepois do confronto de má memória diante do CSKA, que o atirou para fora da Liga dos Campeões, o Sporting prepara-se para defrontar nova equipa russa, e também moscovita, mais concretamente o Lokomotiv, conjunto que terminou a última liga local na sétima posição, tendo chegado a esta Liga Europa em virtude de ter conquistado a Taça da Rússia. Algo distante do valor do CSKA Moscovo, tanto ao nível de palmarés como de qualidade do próprio plantel, a verdade é que o emblema orientado por Igor Cherevchenko poderá causar muitos problemas aos leões se estes não estiverem concentrados e inspirados.

O bonito Lokomotiv Stadium

O bonito Lokomotiv Stadium

Quem é o Lokomotiv de Moscovo?

O FC Lokomotiv de Moscovo foi fundado em 1922 com a designação de Kazanka Moskovskaya-Kazanskaya Zh.D, mas haveria de mudar o seu nome para o actual em 1936, ano em que haveria de conquistar o seu primeiro título relevante, a Taça da União Soviética, num feito que haveria de repetir em 1957.

Certo, contudo, é que o Lokomotiv de Moscovo nunca foi um clube muito relevante nos tempos da URSS, sendo sintomático que nunca tenha conquistado o campeonato desse extinto país, tendo a sua melhor campanha surgido em 1959, quando foi vice-campeão.

Diferentes, contudo, têm sido os tempos mais recentes, após o desmantelamento da URSS, uma vez que o Lokomotiv de Moscovo já conquistou dois campeonatos russos; seis taças da Rússia e duas supertaças.

Relevantes têm sido igualmente algumas campanhas europeias, sendo de destacar a presença em duas meias-finais da extinta Taça das Taças, nomeadamente em 1997/98 e 1998/99.

Niasse é o goleador do Lokomotiv

Niasse é o goleador do Lokomotiv

Como joga o Lokomotiv de Moscovo?

A equipa do Lokomotiv de Moscovo costuma actuar num 4x2x3x1 bastante claro, sendo que o principal perigo surge em zonas ofensivas, nomeadamente através da dinâmica e magia do tridente que actua nas costas do possante e excelente finalizador, Niasse.

Afinal, a secundar esse terrível ponta de lança senegalês, costumam actuar os perigosíssimos extremos: Kasaev (mais pela esquerda) e Samedov (mais pela direita), que tanto sabem oferecer profundidade e verticalidade ao respectivo flanco, como conseguem assumir igualmente posições mais interiores quando necessário. Depois, na posição “dez”, muita atenção ao grande talento deste Lokomotiv, mais concretamente o prodigioso construtor de jogo Miranchuk, de apenas 19 anos, que tem tudo para ser um dos grandes craques russos num futuro muito próximo.

Mais atrás, surge o duplo-pivot: N’Dinga/Tarasov, composto por dois elementos que se preocupam quase em exclusivo por fechar os caminhos para a defesa da equipa russa, esta composta pelo quarteto: Shishkin (direita); Denisov (esquerda); Corluka e Pejcinovic (centrais). Aqui, na verdade, poderá estar o segredo de uma eventual vitória verde-e-branca, uma vez que os laterais costumam dar muito espaço nas suas costas e, também por isso, os dois centrais terão certamente dificuldades em lidar com a dinâmica e velocidade que terá de ser imposta pelo ataque leonino.

Por fim, há ainda que falar do guarda-redes do Lokomotiv, o brasileiro Guilherme, que tem como pontos fortes a sua elasticidade e qualidade entre os postes, mas que não é muito forte nas saídas aos cruzamentos, num perfil curiosamente parecido ao “keeper” do Sporting, Rui Patrício.

Miranchuk é um verdadeiro prodígio

Miranchuk é um verdadeiro prodígio

Quem é que o Sporting deve ter debaixo de olho? Miranchuk

Com apenas 19 anos de idade, Aleksei Miranchuk é claramente a grande figura deste Lokomotiv de Moscovo, estando a viver uma ascensão verdadeiramente meteórica, isto ao ponto de já somar 44 jogos (quatro golos) pelo emblema da capital russa e duas internacionalizações A (um golo).

Nascido a 17 de Outubro de 1995 em Slavyansk-na-Kubani, Rússia, o jovem craque iniciou o seu percurso no Olymp Slavyansk-na-Kubani e ainda passou pelas camadas jovens do Spartak de Moscovo, onde foi chumbado por não considerarem que reunia as condições físicas ideais para a alta-competição.

Essa decisão do Spartak acabou por ser a sorte do Lokomotiv de Moscovo, que recebeu o jogador em 2011 e, desde 2013, tem o visto brilhar na equipa principal, sempre pautando as suas exibições pela sua superior visão de jogo e excelente qualidade técnica.

Aliás, será imperioso que o Sporting vigie constantemente as movimentações de Aleksei Miranchuk, porque cedo irá perceber que a maior parte do jogo ofensivo do Lokomotiv de Moscovo passa, efectivamente, pelo pés de veludo desta jovem promessa.

ELQuais são as possibilidades do Sporting?

É indesmentível que o Sporting tem melhor equipa do que o Lokomotiv de Moscovo, ainda que seja igualmente um facto que as ausências de Ewerton, William Carvalho, João Mário e André Carrillo aproximam mais o valor de verde-e-brancos e russos.

Nesse seguimento, o Sporting terá de ser uma equipa muito competente e equilibrada para levar de vencido o seu adversário, sendo imperioso saber explorar algumas lacunas que o Lokomotiv de Moscovo apresenta na sua defesa e controlar sempre muito bem as movimentações de Niasse e do trio de criativos que actua nas suas costas.

Certo, de qualquer maneira, é que este jogo será muito importante para as ambições do Sporting nesta Liga Europa, sendo que qualquer resultado que não seja a vitória verde-e-branca poderá complicar imediatamente as contas leoninas num agrupamento que também tem um forte Besiktas.

FC-Dynamo-Kyiv-Logo-3DNum agrupamento com um grande favorito ao primeiro lugar (Chelsea) e outro grande favorito ao último posto (Maccabi Telavive), deverá ser diante dos ucranianos do Dínamo de Kiev que o FC Porto disputará a segunda posição deste Grupo G, numa corrida pelo prestígio e dinheiro que advirá de um eventual apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Um adversário forte, é certo, mas ainda assim ao alcance de uma equipa azul-e-branca com uma superior qualidade individual e colectiva.

O líndissimo Olímpico de Kiev

O líndissimo Estádio Olímpico de Kiev

Quem é o Dínamo de Kiev

O Dínamo de Kiev foi fundado a 13 de Maio de 1927, ainda nos tempos da União Soviética, e sempre se assumiu como um dos grandes emblemas da antiga URSS, ou não tivesse conquistado 11 campeonatos soviéticos, nove taças da URSS e três supertaças.

Nesse mesmo período de tempo, há ainda que destacar o facto do Dínamo de Kiev ter triunfado em três competições continentais, vencendo a Taça das Taças em 1974/75 e 1985/86, assim como a Supertaça Europeia em 1975.

Posteriormente, desde que a Ucrânia se assumiu como um país independente, o Dínamo de Kiev continuou o seu percurso vitorioso, sendo desde aí o emblema com mais títulos do país, com 16 campeonatos, 11 taças e cinco supertaças.

Aliás, o clube da capital ucraniana é mesmo o actual campeão em título, isto mesmo que tenha sofrido nos últimos tempos com o crescimento exponencial do seu grande rival, Shakhtar Donetsk, equipa que venceu oito dos últimos 11 campeonatos.

Rebrov é o treinador do Dínamo

Rebrov é o treinador do Dínamo

Como joga o Dínamo de Kiev?

Prevendo-se que receba o FC Porto com uma abordagem prudente e de risco sempre muito calculado, é igualmente expectável que o Dínamo de Kiev se apresente neste duelo com o seu esquema habitual de 4x2x3x1/4x3x3 e precisamente com o mesmo onze que actuou no último jogo do campeonato ucraniano, diante do FK Oleksandria (3-0).

Nesse seguimento, o emblema orientado pelo antigo ponta de lança, Sergei Rebrov, deverá subir para o relvado do Estádio Olímpico de Kiev com o veteraníssimo guarda-redes: Shovkovskiy, seguindo-se um quarteto defensivo composto por Danilo Silva (lateral-direito); Antunes (lateral-esquerdo); Domagoj Vida e Khcheridi (defesas-centrais). Sendo um sector muito competente, e que tem sofrido poucos golos, restará ao FC Porto tentar explorar a dureza de rins de Khcheridi (actua em substituição do lesionado Dragovic), que não é especialmente forte junto ao relvado, e os momentos em que os laterais possam dar algum espaço nas suas costas.

Quanto ao meio-campo, este dá mais ênfase ao equilíbrio do sector do que propriamente em desequilibrar criativamente a equipa adversária, sendo composto por Rybalka e Miguel Veloso, que formam um duplo-pivot de tracção defensiva, e por Garmash, que, jogando um pouco mais adiantado, está longe de ser um jogador fantasista.

O perigo ofensivo deste Dínamo de Kiev, valha a verdade, parte quase sempre dos seus extremos, e principalmente por intermédio do internacional ucraniano Yarmolenko, futebolista que é letal nas venenosas diagonais que faz a partir do lado direito do ataque. A acompanhá-lo, muita atenção igualmente ao criativo e veloz ex-benfiquista Derlis González, que actua no flanco oposto, mas também ao ponta de lança brasileiro Junior Moraes, cuja mobilidade pode causar alguns problemas aos azuis-e-brancos.

Yarmolenko é a estrela do Dínamo

Yarmolenko é a estrela do Dínamo

Quem é que o FC Porto deve ter debaixo de olho? Yarmolenko

Quanto ao jogador que deverá ser visto como o perigo público deste Dínamo de Kiev, penso que não há dúvidas em apontar o dedo a Andriy Yarmolenko, avançado que soma seis golos e seis assistências nos seus primeiros nove jogos oficiais da época.

Trata-se de um futebolista nascido a 23 de Outubro de 1989 em São Petersburgo, Rússia, ainda que seja de origem ucraniana, somando mesmo 51 internacionalizações A (20 golos) por esse país. Quanto ao nível clubístico, foi no Dínamo de Kiev que evoluiu na maior parte da sua carreira, representando esse clube profissionalmente desde 2007 e somando um total de 270 jogos, 101 golos e 70 assistências.

Muito inteligente nas movimentações, é um esquerdino que actua preferencialmente pelo lado direito, isto por forma a facilitar um dos aspectos em que é mais forte, nomeadamente as venenosas diagonais que faz para criar desequilíbrios em zonas centrais, sector onde é letal tanto no capítulo da criação como da finalização.

Possante (189 cm e 82 kg), o internacional ucraniano não é propriamente lento, sabendo igualmente oferecer verticalidade no flanco direito sempre que necessário. Ou seja, mesmo que especialmente talhado para ser um falso-ala, a verdade é que Yarmolenko também sabe quando deve assumir o papel de extremo puro.

ChampsQuais são as perspectivas do FC Porto?

O duplo-confronto com o Dínamo de Kiev terá tudo para se assumir como decisivo para um eventual apuramento do FC Porto para os oitavos de final da “Champions”, sendo que um resultado positivo no jogo de hoje, no Estádio Olímpico, seria meio-caminho andado para esse desiderato.

Sendo um conjunto forte, e algo cínico, o Dínamo Kiev é, ainda assim, uma equipa ao alcance do vice-campeão nacional, conjunto que é mais forte colectivamente e, acima de tudo, mais forte em termos individuais.

Nesse seguimento, e partindo do princípio que apresentará nos jogos com os ucranianos a sua melhor face, penso que o FC Porto terá todas as condições para pontuar na Ucrânia e vencer tranquilamente no Estádio do Dragão. Ainda assim, os azuis-e-brancos deverão ser pacientes e prudentes na abordagem a este Dínamo de Kiev, que é um conjunto que é muito perigoso na exploração dos erros do adversário.

Schelotto é internacional italiano

Schelotto é internacional italiano

Actualmente sem clube, o extremo Matias Ezequiel Schelotto tem sido falado como potencial reforço de Sporting e Benfica, ele que, aos 26 anos, já apresenta algum cartel, nomeadamente o de ser internacional A pela Itália e de já ter representado vários emblemas históricos transalpinos, como o Inter de Milão, o Parma ou a Atalanta.

Ainda assim, e mesmo que a sua carreira tenha sido passada quase toda em Itália, a verdade é que Ezequiel Schelotto nasceu a 23 de Maio de 1989 na Argentina, país onde envergou as cores do Velez Sarsfield e do Banfield, isto ainda nas camadas jovens.

2008, todavia, foi o ano da viagem para Itália, país onde começou por representar o Cesena entre 2008/09 e 2010/11, numa viagem marcada pela ascensão do terceiro ao primeiro escalão e pela realização de 66 partidas oficiais (oito golos).

Atalanta, Inter e muitos empréstimos pelo meio

Na temporada de 2010/11, contudo, Ezequiel Schelotto já representava o Cesena por empréstimo da Atalanta, sendo que o futebolista de origem argentina nem sequer haveria de terminar essa sua época de estreia na Série A nos “Cavallucci Marini”, acabando por ser cedido no Catania (14 jogos, um golo) na segunda metade dessa campanha.

Ora, a Atalanta, que havia contratado o internacional italiano no Verão de 2010, apenas o veria representar efectivamente o clube a partir de 2011/12, temporada que marcou o regresso do clube de Bérgamo à Série A, sendo que Schelotto haveria de criar um grande impacto nesse período, somando um total de 56 jogos (dois golos) e conseguindo mesmo o salto para o Inter de Milão.

Aos “nerazzurri”, aliás, esteve vinculado até ao último Verão, ainda que nem sempre os tenha representado, somando apenas um total de 13 jogos (um golo) e acabando nesse mesmo período por acumular cedências a emblemas como o Sassuolo (12 jogos, um golo – 2013/14); Parma (16 jogos, quatro golos – 2013/14); e Chievo (29 jogos – 2014/15).

Uma locomotiva que não é um prodígio técnico

Ezequiel Schelotto é um futebolista que actua preferencialmente como extremo-direito, tendo como principais valências a sua velocidade, explosividade e capacidade física, sendo acima de tudo um jogador especialmente perigoso quando embalado de trás e com espaço para progredir no terreno.

Apenas mediano em termos técnicos, tem por isso algumas dificuldades em criar desequilíbrios se não tiver esse mesmo espaço, parecendo mais indicado para explorar situações de contra-ataque, algo que já lhe mereceu o rótulo de não ser um “extremo de equipa grande”.

Nesse seguimento, talvez fosse como um lateral-direito de perfil ofensivo que talvez tivesse mais condições de vingar num emblema como o Benfica ou o Sporting, até porque à sua velocidade e envergadura física (1,87 metros, 81 quilos) há que acrescentar a natural inteligência táctica de quem actuou tantos anos no “calcio”.


AstanaAo contrário do que sucedeu na temporada passada e que haveria de vir a revelar-se fatal nas ambições europeias dos encarnados, a verdade é que o Benfica não se pode queixar muito do sorteio referente à fase de grupos da Liga dos Campeões, tendo merecido inclusivamente a presença no agrupamento de um clube que deverá garantir, no mínimo, o apuramento das águias para os dezasseis avos de final da Liga Europa, mais concretamente o emblema cazaque do Astana, claramente o elo mais fraco deste Grupo C.

O bonito e moderno Astana Arena

O bonito e moderno Astana Arena

Quem é o Astana?

O FC Astana é um clube extremamente jovem, ou não tivesse sido fundado em 2009, isto após uma fusão entre dois clubes de Almaty, mais concretamente o FC Alma-Ata e o FC Megasport, sendo que a sua primeira designação foi de FC Lokomotiv Astana, tendo em 2011 deixado cair o termo “Lokomotiv” e ficado apenas como FC Astana.

Desde a sua génese, este clube da capital cazaque tem se esforçado para assumir um papel de destaque no futebol deste país encaixado entre a Europa e a Ásia, começando por contratar alguns jogadores de renome como o ex-internacionais russos: Titov e Tikhonov e crescendo muito rapidamente nas provas locais, onde conquistou a Taça do Cazaquistão em 2010 e 2012, a Supertaça em 2012 e 2015 e a Liga em 2014.

Ora, esse primeiro título nacional obtido no ano passado permitiu ao FC Astana assegurar a primeira participação na Liga dos Campeões em 2015/16, sendo que esta presença tem sido de pleno sucesso, uma vez que a equipa cazaque conseguiu voar até à fase de grupos, isto após eliminar sucessivamente os eslovenos do Maribor (0-1 e 3-1); os finlandeses do HJK Helsínquia (0-0 e 4-3); e os cipriotas do Apoel Nicósia (1-0 e 1-1).

Os jogadores do Astana festejam o apuramento para a fase de grupos da

Os jogadores do Astana festejam o apuramento para a fase de grupos da “Champions”

Como joga o Astana?

Pegando naquilo que foram a generalidade das partidas do FC Astana nesta fase preliminar da “Champions”, podemos dizer que o emblema cazaque privilegia o 4x2x3x1, isto com um ataque desconcertante e com um duplo-pivot onde estão talvez os dois mais fascinantes futebolistas do elenco: o sérvio Maksimovic e o colombiano Roger Cañas.

O Kairat é dono de um ataque muito móvel, composto pelo médio-ofensivo Zhukov, que consegue aliar muito bem o excelente trabalho de construção ofensiva a um bom índice de trabalho defensivo; o extremo-esquerdo Kéthévoama, dono de uma grande velocidade e capacidade de desequilíbrio; e os atacantes: Nursebayev, finalizador que joga preferencialmente na posição “nove” mas também cai na direita, e o ala-direito Dzholchiyev, que faz a movimentação exactamente oposta, num contexto de claro falso-extremo.

O duplo-pivot, ainda assim, e tal como reforcei ao início, é a zona do terreno onde habitam os elementos mais fascinantes do elenco, especialmente o jovem sérvio Maksimovic, futebolista que se sagrou recentemente campeão do Mundo de sub-20 e que sabe aliar a capacidade de equilibrar defensivamente a equipa, com um excelente início de construção ofensiva, mas também o colombiano Cañas, futebolista que também alinha no mesmo diapasão do sérvio, sendo muito inteligente na forma como ocupa os espaços defensivos, mas nunca deixando de avançar de forma confiante no terreno assim que a oportunidade o permite. Aliás, tanto Maksimovic como Cañas marcam golos com regularidade, numa prova viva da importância ofensiva da dupla.

Menos emblemático e cintilante, por outro lado, apresenta-se a defesa do FC Astana, que tem sido composta pelo guarda-redes: Nenad Eric, e o quarteto: Ilic (lateral-direito), Shomko (lateral-esquerdo), e Anicic e Postnikov (defesas-centrais). Ainda assim, há que destacar a grande experiência do internacional esloveno Ilic, futebolista de 32 anos com muitos jogos pela sua selecção e que oferece grande competência e fiabilidade no flanco direito da defesa do FC Astana.

Maksimovic é já uma certeza do futebol sérvio

Maksimovic é já uma certeza do futebol sérvio

Quem é que o Benfica deverá ter debaixo de olho? Nemanja Maksimovic

O internacional sérvio do FC Astana é claramente o elemento mais valioso do FC Astana, isto tanto ao nível do valor de mercado do internacional sub-20 sérvio, assim como da própria importância que este assume no meio-campo do emblema do Cazaquistão.

Trata-se de um futebolista nascido a 26 de Janeiro de 1995 em Banja Koviljača, Sérvia, sendo um produto das escolas do Estrela Vermelha de Belgrado, isto apesar da sua estreia profissional ter sido feita na Eslovénia, com a camisola do Domzale, em 2013.

Aí, até meados de 2015, somou 30 jogos e quatro golos, isto antes de se mudar para o FC Astana, clube que representa desde 7 de Fevereiro, acumulando um total de 24 partidas e seis golos.

Inteligente em termos posicionais e forte fisicamente (189 cm e 81 quilos), o sérvio é muito forte no jogo aéreo, sendo ainda poderoso nos confrontos individuais, onde sabe aplicar o seu corpo em seu benefício. Depois, fruto de uma técnica apreciável e boa capacidade de passe, é competente na forma como inicia o processo ofensivo do FC Astana, alternando essa função com o seu inseparável companheiro Cañas.

CLQuais são as perspectivas do Benfica?

Apesar de ser improvável que o FC Astana entregue de mão beijada os seis pontos ao Benfica, é igualmente inegável que este emblema do Cazaquistão está a anos de luz da qualidade da equipa portuguesa, ou não fosse talvez o mais frágil clube presente nesta edição 2015/16 da Liga dos Campeões.

Nesse seguimento, acredito que o clube da Luz terá todas as condições para somar os seis pontos em disputa com o FC Astana, isto mesmo acreditando que a partida do Cazaquistão, tanto pela viagem como pelo próprio ambiente que os encarnados irão encontrar, poderá apresentar algumas dificuldades ao Benfica.

Certo, de qualquer maneira, é que a chave para um eventual apuramento dos encarnados para os oitavos de final da Liga dos Campeões poderá estar mesmo neste duplo-confronto com o FC Astana, uma vez que se prevê um duelo titânico para a qualificação com os turcos do Galatasaray e, nesse tête-à-tête, a perda de pontos com o clube cazaque pode ser a “morte do artista”.

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