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Posts Tagged ‘Checoslováquia’

A criação da UEFA em 1954 foi o grande impulsionador para que se fizesse uma grande competição europeia de selecções, sendo que o sonho tornou-se realidade a 5 de Abril de 1958, altura em que República da Irlanda e Checoslováquia deram o pontapé de saída na fase preliminar da prova. Apesar de tudo, esta prova ainda começou de forma algo “coxa”, pois apenas dezassete selecções participaram no certame, contando-se as ausências de países como a Alemanha Ocidental, Bélgica, Itália e Inglaterra. Na fase final, disputada em França, destacou-se a União Soviética, equipa que contou com o genial Yashin e o cerebral Netto como grandes artífices do título europeu.

Matateu ajudou a eliminar a RDA

Portugal mostrou-se superior aos alemães de leste

O campeonato da Europa arrancou com uma fase preliminar onde apenas entraram checoslovacos e irlandeses, sendo que a Checoslováquia respondeu ao desaire da primeira mão (0-2), com um triunfo categórico (4-0) no duelo decisivo.

Finda essa ronda, chegou-se aos oitavos de final, onde a Roménia venceu a Turquia (3-0 e 0-2), a Espanha superou a Polónia (4-2 e 3-0), a URSS eliminou a Hungria (3-1 e 1-0), a França esmagou a Grécia (7-1 e 1-1), a Jugoslávia superiorizou-se à Bulgária (2-0 e 1-1), a Áustria triunfou diante da Noruega (1-0 e 5-2) e a Checoslováquia passeou diante da Dinamarca (3-2 e 5-1).

Portugal, que tinha como principais estrelas Coluna e Matateu, teve como adversário a República Democrática da Alemanha, tendo vencido as duas partidas diante dos germânicos e, dessa forma, conseguido o apuramento para os quartos de final. Em Berlim Oriental, a equipa das quinas venceu por 2-0, com golos de Matateu e Coluna, enquanto, no Porto, o triunfo foi por 3-2, com dois tentos de Coluna e outro de Cavém a superiorizarem-se aos golos de Vogt e Kohle.

Qualidade de Coluna não foi suficiente para superar a Jugoslávia

Lusos incapazes de contrariar poder jugoslavo

Os quartos de final haviam de ficar marcados pela recusa da Espanha de defrontar a União Soviética. A imposição do General Franco devia-se ao facto deste não concordar com o regime comunista praticado em Moscovo. Como tal, os soviéticos apuraram-se para a fase final sem jogar.

Portugal, por sua vez, teve como adversário a Jugoslávia e até teve um início auspicioso, marcado por um triunfo (2-1) no Estádio Nacional com golos de Santana e Matateu. Contudo, na segunda mão, Kostic comandou uma equipa jugoslava a uma vitória categórica por 5-1, num jogo em que o tento de Cavém teve pouca importância para o desenlace final.

Nos outros duelos desta ronda, a Checoslováquia superou a Roménia (2-0 e 3-0) e a França não deu hipóteses à Áustria (5-2 e 4-2).

Just Fontaine foi baixa de peso para a França

França desiludiu na fase final

A fase final do Euro 1960 foi disputada em França e contou com a presença da equipa gaulesa, URSS, Checoslováquia e o carrasco português: Jugoslávia.

O sorteio das meias-finais da prova colocou franceses em confronto com os jugoslavos e os soviéticos em confronto com os checoslovacos, sendo que os gauleses, orfãos das estrelas do Mundial 58 Kopa e Fontaine, até estiveram a vencer por 4-2, mas acabaram vergados a uma derrota por 5-4 com os jugoslavos, enquanto os soviéticos superaram tranquilamente os checoslovacos por três bolas a zero.

Desiludida por ter sido afastada de uma final que se iria disputar na sua capital, a França foi bastante desmoralizada para o encontro dos terceiros e quartos lugares, sendo que o desaire (0-2) nessa partida diante da Checoslováquia acabou por não surpreender.

Yashin era a estrela da URSS

Final * URSS 2-1 Jugoslávia

Na final, defrontavam-se duas selecções da Europa de Leste, mas que tinham abordagens distintas ao jogo. A Jugoslávia era uma equipa criativa e espectacular, com uma forma de jogar quase “brasileira”, enquanto os soviéticos eram um conjunto frio e eficaz que parecia obra de um qualquer laboratório de Moscovo.

A partida começou por se inclinar na direcção do conjunto mais espectacular, pois, ao minuto 41, Galic conseguia superar, finalmente, o mítico Yashin, guarda-redes que, entre as fases preliminares e final, apenas havia sofrido um golo até aquele momento.

Contudo, o terreno empapado beneficiava o maior poderio físico dos soviéticos que, ao quarto minuto do segundo tempo, chegaram ao empate por Metreveli.

Com o resultado empatado (1-1) a partida foi se desenrolando com alguma superioridade jugoslava, mas golos, esses, não apareceram até ao final dos noventa minutos, tendo o desafio que seguir para prolongamento. Aí, a superioridade física da URSS tornou-se evidente e, ao minuto 114, Ponedelnik correspondeu da melhor forma a um cruzamento de Meskhi, para garantir a vitória soviética (2-1) e a conquista do primeiro campeonato da Europa.

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Amadeo Carrizo foi um revolucionário

Se há um jogador que marca um ponto de viragem na história dos guarda-redes do futebol mundial, esse alguém é o argentino Amadeo Carrizo. O internacional argentino foi o primeiro da posição a usar luvas, além de quebrar com a ideia que um guarda-redes apenas estava na baliza para defender os remates dos adversários. Exímio a jogar fora dos postes, actuando várias vezes fora da área de rigor e usando, como ninguém, o forte pontapé para lançar os contra-ataques da sua equipa, o argentino era um guarda-redes do futebol moderno, que, simplesmente, nasceu cedo demais.

23 anos no River Plate

Amadeo Carrizo nasceu a 12 de Junho de 1926 em Rufino, Argentina, e, entre 1945 e 1968 vestiu a camisola do River Plate. Durante esse período, o internacional argentino tornou-se num dos grandes ídolos da “affición” do River Plate, efectuando 513 jogos pelos “Millionários” e conquistando cinco campeonatos argentinos. Nesse período, o revolucionário guarda-redes jogou ao lado de grandes fenómenos da época como José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Ángel Labruna e, claro, Alberto Di Stéfano.

Após o sucesso no gigante argentino, Amadeo Carrizo, apesar de já ter 42 anos, ainda foi jogar dois anos para a Colômbia, mais concretamente para o Millionários de Bogotá. Nesse clube colombiano, o internacional argentino ainda fez 58 jogos, ajudando-o a vencer a Copa Mustang, ou seja, o campeonato colombiano de futebol.

Presente no Mundial 1958

Internacional argentino por vinte ocasiões, Amadeo Carrizo participou no Mundial 1958 disputado na Suécia, mas, apesar de ter sido totalista na prova, não foi feliz, pois a Argentina não passou da primeira fase, após derrotas com a Alemanha Ocidental (1-3) e Checoslováquia (1-6) e apenas um triunfo diante da Irlanda do Norte (3-1).

Um guarda-redes que procurava a perfeição

Frio e personalizado, Amadeo Carrizo era um guarda-redes muito forte entre os postes, graças à sua elasticidade. Pelas características ofensivas do seu jogo, muitos especialistas gostavam de dizer que o internacional argentino jogou mais do que defendeu.

Para além disso, Carrizo nunca deixou de procurar a perfeição, sendo que uma vez, virou-se para César Luis Menotti e perguntou-lhe: “Lembras-te daquele golo que me fizeste um dia em Rosário e que vocês ganharam. Aquele que remataste tão forte que quase furou as redes?” “Sim, Sim” – afirmou Menotti. “Sabes porque o fizeste? Porque me cheguei demasiado perto de ti. Aos tipos que rematam tão forte como tu não há que aproximar demais, pois assim fica-se sem tempo para levar as mãos à bola. Devia ter ficado atrás para poder agarrar ou desviar…”

Esse golo havia acontecido há mais de vinte anos, mas Carrizo continuava a pensar como o evitar. Era uma dívida que tinha consigo mesmo, pois os grandes, mesmo quando caiem, caiem de pé…

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Paulinho Cascavel era um goleador

Na temporada de 1986/87, o Vitória de Guimarães escreveu uma das páginas mais bonitas da sua história ao efectuar a sua melhor participação de sempre na Taça UEFA. O grande Vitória da altura, treinado por Marinho Peres e com jogadores como Jesus, N’ Dinga, Ademir e Paulinho Cascavel eliminou Sparta Praga, Atlético de Madrid e FC Groningen, num percurso genial que apenas foi parado nos quartos de final pelos frios germânicos do Borussia Mönchengladbach. Apesar de não terem chegado à final, curiosamente ganha pelo IFK Gotemburgo da Suécia, os vimaranenses vão recordar, para sempre, esta magnífica campanha europeia.

1ª Eliminatória: Sparta Praga 1-1 V. Guimarães/V. Guimarães 2-1 Sparta Praga

O Vitória de Guimarães não teve propriamente sorte no sorteio da primeira eliminatória da Taça UEFA, saindo-lhe em sorte o sempre complicado Sparta Praga, da extinta Checoslováquia.  Depois de uma igualdade na primeira eliminatória, em Praga (1-1), a equipa de Guimarães, na segunda mão, viu-se mesmo a perder (0-1), até aparecer o génio de Paulinho Cascavel que, com dois golos, deu a volta ao marcador, garantindo o triunfo (2-1) e consequente apuramento para a segunda eliminatória da Taça UEFA.

2ª Eliminatória: V. Guimarães 2-0 Atl. Madrid/Atl. Madrid 1-0 V. Guimarães

Na segunda ronda da competição, a sorte foi ainda mais madrasta para os vimaranenses que, nessa ocasião, tiveram de discutir o apuramento com o poderoso Atlético de Madrid. Na primeira mão, a jogar em casa, o Guimarães não fez um grande jogo, mas beneficiou de golos de Paulinho Cascavel e Roldão para vencer por 2-0. Depois,  no Vicente Calderón, o Vitória sofreu bastante, tendo, inclusivamente, visto Jesus defender um penalti da equipa espanhola. Todavia, a equipa portuguesa soube resistir e acabou por perder apenas pela margem mínima (0-1), garantindo, assim, a passagem à terceira eliminatória.

3ª Eliminatória: FC Groningen 1-0 V. Guimarães/V. Guimarães 3-0 FC Groningen

O terceiro obstáculo para a equipa minhota foi a equipa holandesa do FC Groningen, um conjunto que, apesar de ter bastante qualidade, parecia estar ao alcance do Guimarães. Na primeira mão, na Holanda, o Vitória perdeu (1-0) num encontro em que se confirmou a ideia de que o FC Groningen era perfeitamente ultrapassável. De facto, na segunda mão, o Vitória não só se apurou para os quartos de final como o fez com imenso estilo, derrotando a equipa holandesa por 3-0, graças a golos de Nascimento, N’ Dinga e do inevitável Paulinho Cascavel.

Quartos de final: B. M’gladbach 3-0 V. Guimarães/V. Guimarães 2-2 B. M’gladbach

Previam-se grandes dificuldades para o Vitória para este duelo com os alemães do Borussia Mönchengladbach e, na verdade, assim foi, pois a equipa germânica acabou por resultar no fim do percurso minhoto na competição. A primeira mão, na Alemanha, que o Vitória perdeu, copiosamente, por 3-0, acabou por ser decisiva, pois tirou praticamente todas as hipóteses da equipa portuguesa recuperar no segundo duelo. De facto, nessa segunda mão, o V. Guimarães não foi além de um empate a duas bolas, acabando eliminado da prova europeia e terminando, assim, uma prestação que entrou para a história da equipa minhota.

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Tomas Skuhravy com a camisola do Génova

No inverno de 1995, chegava ao Sporting um goleador checo de 30 anos, que havia brilhado com as camisolas de clubes como o Sparta Praga e Génova e, também, com a camisola das selecções da Checoslováquia e da República Checa. Rapidamente se pensou que pudesse ser a resolução para os problemas ofensivos dos verde-e-brancos, mas, na verdade, Tomáš Skuhravý limitou-se a arrastar-se no Sporting durante meia época, deixando os leões no final da época 1995/96 e o próprio futebol pouco depois disso. Se para alguns jogadores, os 30 anos podem ser o auge de uma carreira, para Skuhravý foram o princípio de um abrupto fim.

Tomáš Skuhravý nasceu a 7 de Setembro de 1965 em Přerov nad Labem na província da Boémia, actual integrante da República Checa, que na altura, fazia parte da Checoslováquia.

O avançado começou a jogar futebol aos seis anos num pequeno clube da sua cidade natal: Sokol Přerov nad Labem, permanecendo lá até 1980, quando acabou contratado pelo Sparta Praga.

No gigante da capital checa, estreou-se na equipa principal na temporada 1982/83, permanecendo lá por duas temporadas. Muito jovem, apenas fez quatro golos em duas temporadas, acabando por, naturalmente, ser emprestado a outro clube, neste caso o RH Cheb, para poder crescer como futebolista e poder reaparecer mais forte no Sparta Praga.

Na verdade, assim foi, pois Skuhravý fez duas temporadas de grande qualidade no Cheb, fazendo 17 golos em 58 jogos, percebendo-se que o avançado estava preparado para regressar ao gigante de Praga.

Entre 1986 e 1990, Skuhravy foi sempre campeão pelo Sparta Praga, conquistando, assim, quatro campeonatos seguidos, além de duas taças da Checoslováquia (1988 e 1989). Durante esse período, o avançado mostrou ser um goleador temível, apontando 55 golos em 113 jogos, numa média de quase um golo a cada dois jogos.

Esses números chamaram à atenção do Génova e, assim, em 1990, o ponta de lança checo viajou até aquele que era o melhor campeonato europeu da altura: a Série A.

No clube genovês, o sucesso colectivo não foi grande, pois o ponta de lança não conquistou qualquer título pelo Génova, contudo, individualmente, Skuhravý voltou a brilhar, marcando 59 golos em 164 jogos e sagrando-se o melhor marcador de sempre do clube italiano em jogos da Série A.

No entanto, já era um jogador claramente fora de forma e longe dos melhores tempos, aquele Skuhravý que, no inverno de 1995, se transferiu para o Sporting após um mau início de temporada no Génova.

Assim sendo, o percurso do avançado em Alvalade esteve longe de deslumbrar, com o jogador a fazer apenas quatro jogos e sem conseguir marcar nenhum golo pelos leões. Na altura, tinha apenas 30 anos, todavia, foi a prova viva que a idade ideal para o final de carreira de um jogador varia muito de atleta para atleta, pois aquele Skuhravý estava, claramente, acabado para o desporto rei. Lento, inoperante e sem qualquer pulmão, foi um dos maiores flops do Sporting.

Em Lisboa, o momento que mais pessoas recordam, foi quando, num jogo diante do Desportivo de Chaves, faltou a Luz no Municipal de Chaves numa altura em que o atacante tinha tudo para facturar.

Na temporada seguinte, ainda tentou continuar a carreira no Viktoria Žižkov, mas rapidamente percebeu que o melhor era retirar-se definitivamente do futebol.

Neste momento, o antigo ponta de lança vive em Génova, onde tem várias casas nocturnas e é comentador desportivo para uma televisão local.

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Era uma selecção sublime, aquele Brasil que venceu o Mundial 1970 disputado no México. Jogadores como Pelé, Jairzinho, Rivelino ou Tostão deram um espectáculo de magia, alegria e criatividade, explanado num futebol ofensivo que permitiu aos canarinhos vencerem todos os seis jogos que disputaram e marcarem 19 golos. Um exemplo do poderio brasileiro foi a forma como venceram a final: 4-1 à Itália, num jogo dominado totalmente pela equipa de Pelé. Este foi também o primeiro campeonato do mundo com substituições (duas na altura) e com cartões…

Primeira Fase

Tal como no Chile 1962 e no Inglaterra 1966, a primeira fase foi composta por quatro grupos  de quatro equipas, passando os dois primeiros de cada grupo para os quartos de final. Este foi, no entanto, o primeiro campeonato do mundo com substituições e, também, com cartões, uma ideia do Árbitro Ken Aston após parar nos semáforos de uma rua de Londres e pensar que os sinais amarelo e vermelho podiam ser uma forma de parar a violência. Outra estreia neste campeonato do mundo foi o facto da Adidas ter-se encarregado, pela primeira vez, da bola do Mundial. A estreia aconteceu com a Telstar, uma bola branca com hexágonos pretos.

No Grupo A, México e URSS, não deram hipóteses a Bélgica e El Salvador, pois após empatarem entre si (0-0), aztecas (1-0 à Bélgica e 4-0 a El Salvador) e soviéticos (4-1 à Bélgica e 2-0 a El Salvador) venceram os seus adversários e apuraram-se facilmente para os oitavos de final. Destaque, também, para o facto do soviético Byshovets ter sido o primeiro atleta a ver um cartão amarelo num campeonato do mundo.

Mais equilibrado foi o Grupo B, composto por Itália, Uruguai, Suécia e Israel. Neste agrupamento, apuraram-se a Itália (1ª), que venceu a Suécia (1-0), empatando com Uruguai (0-0) e Israel (0-0) e o Uruguai, que além do empate com os italianos, venceu Israel (2-0) e perdeu com a Suécia (0-1). Os suecos, mesmo vencendo os uruguaios, acabaram eliminados, pois apesar de terem terminado com os mesmos pontos dos celestes, tiveram pior “goal-average”.

Por outro lado, o Grupo C foi um autêntico passeio para o Brasil, que venceu Checoslováquia (4-1), Inglaterra (1-0) e Roménia (3-2), qualificando-se facilmente para a segunda fase e em primeiro lugar. Neste agrupamento, os ingleses também asseguraram o passaporte para os quartos de final, pois apesar de terem perdido com os canarinhos, venceram Roménia (1-0) e Checoslováquia (1-0) e asseguraram o segundo lugar.

Por fim, o Grupo D foi dominado pela Alemanha Ocidental, que venceu Marrocos (2-1), Bulgária (5-2) e Peru (3-1) e conquistou facilmente o primeiro lugar. O outro apurado, foi o Peru, que apesar de ter perdido com os germânicos, não deu hipóteses a Bulgária (3-2) e Marrocos (3-0), terminando na segunda posição. Neste agrupamento, há ainda a destacar a quarta presença em campeonatos do mundo do alemão Seelar (esteve presente em 1958, 62, 66 e 70), ainda assim, não se tratava de um record, pois o mexicano Carbajal havia estado presente em cinco (1950, 54, 58, 62 e 66).

Quartos de Final

O Uruguai-União Soviética foi um duelo muito disputado e só ficou decidido no prolongamento, ao minuto 117, após um golo do uruguaio Espárrago. Os soviéticos ainda apresentaram um protesto oficial, pois entenderam que a bola já tinha saído de campo no momento do centro do qual resultou o tento, contudo, a FIFA rejeitou o apelo.

Menos equilibrado foi o Itália-México, pois os “azzurri”, que até começaram a perder (golo de González aos 13 minutos), deram a volta ao resultado e acabaram por vencer, facilmente, por quatro bolas a uma.

Por outro lado, o Brasil-Peru foi um jogo espectacular que colocou, frente a frente, o mágico Brasil de Pelé e o surpreendente Peru de Cubillas. Nesse jogo, o antigo jogador do FC Porto até fez um golo, ao contrário de Pelé, que ficou em branco, todavia, foi o Brasil que venceu o jogo (4-2), graças aos golos de Rivelino, Tostão (2) e Jairzinho.

Por fim, Alemanha Ocidental e Inglaterra disputaram a última vaga nas semi-finais. Num ambiente adverso (os mexicanos revelaram grande hostilidade aos ingleses durante todo o jogo), A equipa dos três leões chegou mesmo a estar a vencer por 2-0 e parecia lançada para o apuramento, todavia, a fria equipa germânica conseguiu chegar à igualdade antes dos 90 minutos. No prolongamento, a RFA foi mais feliz e garantiu a vitória graças a um golo do bombardeiro Gerd Müller (106′).

Meias-Finais

Na primeira meia final, o Brasil até entrou a perder com o Uruguai (Cubilla abriu o activo aos 19 minutos), mas depois a equipa canarinha puxou dos galões e soube dar a volta ao resultado com golos de Clodoaldo (45′), Jairzinho (76′) e Rivelino (90′), vencendo a partida por 3-1.

Por outro lado, a outra semi-final (Itália-Alemanha Ocidental) só se decidiu no prolongamento. A Itália marcou logo aos sete minutos e o resultado (1-0 para os italianos), manteve-se inalterado até aos 90 minutos, quando Schnellinger empatou a partida e forçou o tempo extra. No prolongamento, assistimos a um jogo fantástico, com a Itália a fazer o 2-1 e o 3-2, mas com os germânicos a empatarem sempre a partida. No entanto, aos 111 minutos, Rivera fez o 4-3 e, dessa vez, os alemães já não conseguiram responder, ficando fora da final. Neste desafio, temos ainda de destacar Beckebauer que deslocou a clavícula e jogou os últimos 30 minutos com o braço ao peito.

Terceiro e Quarto Lugar

É sempre um jogo ingrato, uma espécie de final menor, que, muitas vezes, trás pouca motivação aos intervenientes. Ainda assim, a Alemanha Ocidental não quis perder a oportunidade de atingir o último lugar no pódio e, conseguiu esse objectivo, vencendo o Uruguai, graças um golo solitário de Overath (27′).

Final* Brasil 4-1 Itália

O resultado pode dar a ideia de que a Itália, que não perdeu qualquer jogo até esta final e que tinha jogadores como Riva, Facchetti e Domenghini, teve uma má tarde, mas isso não correspondeu à verdade.

O Brasil tinha, na verdade, uma equipa fantástica e, apesar da inegável qualidade da selecção “azzurra”, conseguiu vencer o jogo com uma facilidade e clareza impressionante.

Marcou primeiro, por Pelé (18′), ainda permitiu a igualdade, na sequência de um golo de Boninsegna (37′), mas depois foi uma auto-estrada de magia, criatividade e golos, que foram três: Gérson (66′), Jairzinho (71′) e Carlos Alberto (89′), mas podiam ter sido mais, perante uma Itália que foi incapaz de responder à provavelmente melhor selecção da história.

Uma vitória justíssima e que garantia o tricampeonato mundial aos canarinhos, que, depois deste título, entrariam num jejum que durou 24 anos…

Números do Mundial 1970

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Itália

Terceiro Classificado: Alemanha Ocidental

Quarto Classificado: Uruguai

Eliminados nos Quartos de Final: URSS, Peru, México e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Bélgica, El Salvador, Suécia, Israel, Roménia, Checoslováquia, Bulgária e Marrocos

Melhor Marcador: Gerd Müller (Alemanha Ocidental) – 10 golos

Equipa do Mundial 1970: Mazurkiewicz (Uruguai); Carlos Alberto (Brasil), Schwarzenbeck (Alemanha Ocidental), Beckenbauer (Alemanha Ocidental) e Facchetti (Itália); Clodoaldo (Brasil), Overath (Alemanha Ocidental) e Rivelino (Brasil); Jairzinho (Brasil), Pelé (Brasil) e Gerd Müller (Alemanha Ocidental).

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A Eslováquia estreia-se num campeonato do mundo, ainda que possa sempre fazer referência às oito presenças mundialistas da Checoslováquia. Com uma equipa jovem e com muito talento, os eslovacos surpreenderam na fase de apuramento ao deixarem para trás selecções do gabarito da República Checa e Polónia, vencendo o grupo e conseguindo o apuramento directo para a África do Sul. Veremos, agora, se atletas como Hamsik, Stoch ou Sestak continuam a brilhar e ajudam a Eslováquia a ultrapassar Itália, Paraguai e Nova Zelândia, apurando-a para os oitavos de final do campeonato do mundo de futebol.

A Qualificação

Integrada no Grupo 3 da zona europeia de qualificação com Eslovénia, Rep. Checa, Irlanda do Norte, Polónia e São Marino, não se previa uma tarefa nada fácil para os eslovacos.

Contudo, a equipa eslovaca surpreendeu tudo e todos e venceu o agrupamento com sete vitórias, um empate (Rep. Checa, casa, 2-2) e duas derrotas (Eslovénia 0-2 e 1-2).

Apesar das duas derrotas com a Eslovénia, a Eslováquia fez um excelente apuramento e bons exemplos são as vitórias na Rep. Checa (2-1), Irl. Norte (2-0) e, principalmente, na Polónia (1-0), que foi o último jogo e o que significou o apuramento directo do eslovacos para a África do Sul.

Grupo 3 – Classificação

  1. Eslováquia 22 pts
  2. Eslovénia 20 pts
  3. Rep. Checa 16 pts
  4. Irlanda do Norte 15 pts
  5. Polónia 11 pts
  6. São Marino 0 pts

O que vale a selecção eslovaca?

A equipa da Eslováquia tem um colectivo forte, mas também tem talentos individuais que se destacam como os extremos Weiss e Stoch e, ainda, o médio ofensivo: Hamsik.

O sector mais frágil do conjunto europeu é claramente a defesa e a prova disso foram os dez golos sofridos na fase de qualificação. Apesar disso, trata-se de um reduto com jogadores de qualidade e que, com um bom trabalho do seleccionador Vladimir Weiss, pode evoluir e catapultar a Eslováquia para um plano superior.

A baliza será, quase de certeza, entregue a Mucha, um guarda-redes seguro e talentoso, que, na próxima época, jogará no Everton. Depois, a Eslováquia apresentará a dupla de centrais: Skrtel-Durica. São dois atletas muito fortes pelo ar e com boa leitura posicional, mas que pecam um pouco nos confrontos um contra um, pois não são propriamente rápidos e são duros de rins. Por fim, nas laterais, a Eslováquia deverá apresentar Zabavnik (à esquerda) e Pekarik (à direita). São dois atletas que apresentarão, principalmente, preocupações defensivas, pois como os alas são muito ofensivos, só assim conseguirão equilibrar o sistema táctico.

No meio campo, a Eslováquia deverá apresentar um esquema em losango. Nesse sistema, Strba será o trinco, pois trata-se de um atleta muito alto, que é um experiente destruidor de jogo e que encosta aos centrais sempre que é necessário. Depois, nas alas deverão actuar Weiss e Stoch, dois atletas muito rápidos, tecnicistas e desequilibradores. Por fim, a nº 10, jogará a estrela da equipa, o fabuloso médio ofensivo do Nápoles: Hamsik. Trata-se de um jovem de 22 anos, que rapidamente se distinguiu no exigente futebol italiano pela sua criatividade e maturidade competitiva.

Concluímos a análise à Eslováquia nos dois elementos que jogam no ataque: Sestak e Vittek. São dois atletas que se completam, pois apesar de serem dois finalizadores e que não perdoam no momento chave, são bastante diferentes na forma como se posicionam no campo. Sestak é um elemento mais móvel, que gosta de flectir nas alas e que tenta confundir as marcações, enquanto Vittek é um ponta de lança puro, um elemento fixo que funciona como elemento de referência tanto para os cruzamentos dos alas, como das aberturas de Hamsik e, inclusivamente, do próprio Sestak.

Integrada no Grupo F com Itália, Paraguai e Nova Zelândia, a Eslováquia, pela qualidade do seu conjunto, deverá disputar o segundo lugar com os sul-americanos.

O Onze Base

A Eslováquia deverá apresentar, tal como foi referido anteriormente, um esquema 4-4-2 losango com Mucha (Légia Varsóvia) na baliza; Uma defesa com Zabavnik (Mainz), Skrtel (Liverpool), Durica (Hannover) e Pekarik (Wolfsburgo); Depois, no meio campo, Strba (Xanthi) será o vértice defensivo, Stoch (Twente) o ala esquerdo, Weiss (Bolton) o ala direito e Hamsik (Nápoles) o número 10; Por fim, no ataque, deverá jogar a dupla: Sestak (Bochum) e Vittek (Ankaraguçu).

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

A inexperiência normal de uma equipa que nunca participou num campeonato do mundo deverá impedir a Eslováquia de colocar em causa o primeiro lugar dos italianos no Grupo F. Ainda assim, a boa disciplina táctica do colectivo, aliada à boa qualidade individual de grande parte dos jogadores eslovacos deverá ser mais do que suficiente para a Eslováquia lutar, de igual para igual, com a selecção paraguaia na luta pelo acesso aos oitavos de final.

Calendário – Grupo F (Mundial 2010)

  • 15 de Junho: Eslováquia vs Nova Zelândia
  • 20 de Junho: Eslováquia vs Paraguai
  • 24 de Junho: Eslováquia vs Itália

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Em pleno Mundial do Chile, após Pelé se ter lesionado no segundo jogo da fase de grupos, diante da Checoslováquia, os brasileiros pensaram que haviam perdido as hipóteses de se sagrarem bicampeões do mundo. Contudo, um jogador para o qual todos os adversários tinham o mesmo nome e todos os jogos a mesma importância resolveu fazer de Pelé, iniciando uma sequência de jogos fenomenais que empurraram o Brasil para a conquista do título mundial. Assim sendo, o sétimo campeonato do mundo foi conquistado pela selecção canarinha, graças a um atleta de pernas tortas, que fazia sempre a mesma finta, mas sempre com sucesso: Mané Garrincha.

Primeira Fase

Este campeonato do mundo, realizado no Chile, teve um sistema em tudo semelhante ao que veremos no Mundial da África do Sul, sendo que a única diferença foi a presença de 16 selecções em vez das actuais 32.

No Grupo A, a URSS qualificou-se como primeira classificada após vencer  a Jugoslávia (3-1) e o Uruguai (2-1) e empatar com a Colômbia (4-4). No jogo com os colombianos, Yashin foi criticado por, depois dos soviéticos estarem a ganhar 4-1, ter facilitado e sofrido alguns golos questionáveis. A pressão foi muito grande mas o “Aranha Negra” acabou por manter a titularidade e, em 1963, acabou por ganhar a Bola de Ouro. Até hoje, foi o único guarda-redes a consegui-lo. Também neste grupo, os jugoslavos, apesar da derrota com os soviéticos, apuraram-se como segundos classificados, graças às vitórias sobre a Colômbia (5-0) e Uruguai (3-1).

Por outro lado, no Grupo B, a Alemanha Ocidental foi a selecção mais forte, vencendo a Suíça (2-1) e o Chile (2-0) e empatando, a zero, com a Itália. Logo abaixo dos germânicos, ficou a selecção anfitriã que, apesar de ter perdido com a RFA, venceu helvéticos (3-1) e italianos (2-0), apurando-se também para os quartos de final. O jogo entre Chile e Itália foi muito intenso e ficou conhecido como a batalha de Santiago. No meio de várias expulsões, curiosa foi a primeira, a do italiano Ferrini, pois este recusou-se a sair de campo e só a polícia conseguiu tirá-lo de lá.

Depois, no Grupo C, o Brasil ficou em primeiro lugar, após vitórias diante da Espanha (2-1) e México (2-0) e um empate diante da Checoslováquia (0-0). Neste grupo, também se apuraram os checoslovacos que, além do empate com o Brasil, venceram a Espanha (1-0) e perderam com o México (1-3). A grande desilusão do agrupamento foram os “nuestros hermanos” que chegaram a este mundial como a selecção da ONU por terem várias estrelas internacionais (Puskas e Di Stéfano eram exemplos), mas acabaram por cair logo na primeira fase.

Por fim, o Grupo D foi vencido pela Hungria, que venceu a Inglaterra (2-1) e Bulgária (6-1), empatando, depois, com a Argentina (0-0). Quem acompanhou os húngaros no apuramento para a segunda fase foi a equipa dos três leões, pois apesar da derrota com os magiares e do empate a zero com os búlgaros, venceu os argentinos (3-1). Um triunfo que se revelou decisivo na passagem aos quartos de final.

Quartos de Final

No primeiro desafio dos quartos de final, a União Soviética foi surpreendida pelo Chile, que venceu por duas bolas a uma. Após a primeira fase, poucos acreditariam no desaire soviético, mas a equipa anfitriã, muito matreira, acabou por conseguir o passaporte para as meias finais.

Ainda assim, as surpresas não ficaram por aqui, pois a Hungria (perdeu 1-0 com a Checoslováquia) e a Alemanha Ocidental (perdeu 1-0 com a Jugoslávia) que também  haviam vencido os seus grupos caíam, assim, diante de selecções teoricamente mais fracas.

Assim sendo, a única equipa que confirmou o favoritismo nos quartos de final foi o Brasil. A equipa canarinha venceu a Inglaterra por 3-1, num jogo em que Garrincha bisou e ainda se deu ao luxo de falhar um penalti.

Meias-Finais

O jogo mais emocionante das semiMas-finais foi, claramente o Brasil-Chile. O campeão do mundo defrontou a equipa anfitriã e venceu a partida com relativa facilidade por 4-2. No entanto, Garrincha, que voltou a bisar, acabou expulso devido a uma picardia com o chileno Sánchez. Essa expulsão assustou os brasileiros que não o queriam fora da final e, assim, iniciou-se uma enorme pressão ao árbitro e ao assistente uruguaio: Esteban Marino. A pressão foi tal, que o árbitro escreveu no relatório que não viu a infração de Garrincha e, como tal, a FIFA despenalizou o anjo das pernas tortas.

Por outro lado, a outra partida saldou-se numa vitória da Checoslováquia diante da Jugoslávia por três bolas a uma. Isto significava que teríamos um Brasil-Checoslováquia na final do campeonato do mundo.

Terceiro e Quarto Lugar

O duelo para atribuição do terceiro e quarto lugar apenas foi decidido em cima do apito final. Nesse momento, Rojas não perdoou e garantiu o terceiro lugar ao Chile. Assim sendo, a Jugoslávia teve de se contentar com o quarto lugar.

Final* Brasil 3-1 Checoslováquia

Esta final tinha à partida um vencedor anunciado. O Brasil podia não ter Pelé, mas tinha o melhor Garrincha de sempre e isso, durante o Mundial, bastou.

Apesar de ter começado a partida a perder, graças a um golo de Masopust (15′), os brasileiros nunca perderam a calma e, dois minutos depois, Amarildo empatou a partida.

A equipa checoslovaca era compacta e defendia muito bem. Assim sendo, foi conseguindo adiar o segundo golo canarinho por diversas vezes. Ainda assim, aos 69 minutos, Zito quebrou finalmente a cortina checoslovaca e fez o 2-1 para os brasileiros.

Esse golo decidiu o jogo, pois os europeus foram incapazes de reagir, sofrendo ainda um terceiro golo, apontado por Vává (78′).

Pouco depois terminava o desafio e o campeonato do mundo. O Brasil era bicampeão muito graças à magia de um grande senhor do futebol: Mané Garrincha.

Números do Mundial 1962

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Checoslováquia

Terceiro Classificado: Chile

Quarto Classificado: Jugoslávia

Eliminados nos Quartos de Final: Alemanha Ocidental, União Soviética, Hungria e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Uruguai, Colômbia, Itália, Suíça, México, Espanha, Argentina e Bulgária

Melhor Marcador: Jerkovic (Jugoslávia) – 5 golos

Equipa do Mundial 1962: Schrojf (Checoslováquia); Djalma Santos (Brasil), Mauro (Brasil), Sánchez (Chile) e Schnellinger (RFA); Voronin (URSS) e Masopust (Checoslováquia); Garrincha (Brasil), Bobby Charlton (Inglaterra), Albert (Hungria) e Vává (Brasil).

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